Pasárgada

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O ano se findando, os votos renovando, coração repleto de expectativas e de desejos, almejamos sempre o bom e o bem, o justo e a justiça, a paz universal e a fraternidade.

feliz 2013! feliz ano novo

Após anos de “globalizadas” dificuldades, da queda de impérios, de reinos de outros tempos… quando tantos perdem, revoltam-se por benefícios retirados: Portugal, Espanha, Itália, Grécia! Junto-me ao poeta Manoel Bandeira e deixo aqui meu bilhete, sem endereço, mas com um destino: Pasárgada.

Manuel Bandeira (*1886  +1968) descreve em sua poesia esse lugar de sonhos, onde tudo se nos apraz; podemos aí comemorar e sem grande esforço realizar nossos votos e confraternizarmos:

sitio arqueológico de Pasárgada

sitio arqueológico de Pasárgada

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA!

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
 
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz

Tumba do Rei Ciro, o grande, em Pasárgada; com o seguinte epitáfio: Ó forasteiro, quem quer que sejas, de onde quer que venhas, porque sei que virás, sou Ciro, que fundou o Império dos Persas. Não tenha rancor de mim por causa dessa pequena terra que cobre meu corpo

Tumba do Rei Ciro, o grande, em Pasárgada; com o seguinte epitáfio: Ó forasteiro, quem quer que sejas, de onde quer que venhas, porque sei que virás, sou Ciro, que fundou o Império dos Persas. Não tenha rancor de mim por causa dessa pequena terra que cobre meu corpo

Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
 
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau de sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
 
Em Pasárgada tem tudo

a caminho, rompe o sol de um novo dia!

a caminho, rompe o sol de um novo dia!

É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
– Lá sou amigo do rei –
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
 
 

Manuel Bandeira

 

 

 

 

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Francisco Sales

Sobre Francisco Sales

Médico formado pela Universidade de Coimbra (1974), especialização em Tocoginecologia (TEGO) e em 2003 Especialista em Homeopatia pela AMHB. Plantonista do HMI Goiânia de 1986 a 2013.
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