Hipocrático

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Encontrei um texto mais antigo do Juramento de Hipócrates, do qual fiz uma livre tradução e trago aqui com alguns comentários.

Antes de mais Esculápio na mitologia grega tido como filho de Apolo era a divindade para a medicina; Higias e Panacea as filhas de Esculápio suas auxiliares. Temos palavras e conceitos advindos dessas auxiliares de Esculápio: higiene, higidez,  hígido, – (limpeza, saúde, saudável) e panacéia (o que cura qualquer mal).

Nota-se o sentimento de respeito e doação, entrega que emana de todo o texto: o respeito e agradecimento às divindades; o respeito filial ao mestre da arte de curar; o firme propósito de tão só utilizar o conhecimento para o bem e proteção à vida; ter um bom trato com todos, não indicar, nem orientar ninguém ao uso de venenos (drogas); a decisão de não tirar vantagem do conhecimento e reconhecimento social para seu prazer ou deleite tanto com livres ou escravos; a guarda do sigilo daquilo que não deva ser divulgado.

Realmente é conciso, harmonioso o texto antigo, mais direto. Serve de reflexão para médicos e não médicos.  Ajuda também à compreensão do significado social dessa profissão.

Eu, discípulo nessa arte, quero concluir meus dias com a verdade do que diz o texto  “seja-me concedido gozar felizmente minha vida e minha profissão,  seja sempre honrado entre os homens”.

“JURAMENTO:

Juro por Apolo médico e por Esculápio: por Higias, Panacea e todos os deuses e deusas a quem chamo por testemunho a observância deste voto, que me obrigo a cumprir oferecendo com todas minhas forças e toda minha vontade. Dedicarei a meu mestre de medicina respeito igual aos autores de meus dias, repartindo com eles meu ganho e socorrendo-os na necessidade; tratarei a seus filhos como meus irmãos, a meus mestres e aos discípulos que me venham me acompanhar dentro dos princípios e juramento que determina a lei médica e a ninguém mais.

Orientarei o regime dos doentes do modo que lhes seja mais proveitoso  dentro das minhas possibilidades e meu conhecimento, evitando todo o mal e injustiça.

Não me aventurarei a pretensões que impliquem na prescrição de venenos, nem persuadirei a ninguém com sugestões desta espécie.

Abster-me-ei igualmente de ministrar às mulheres grávidas pesários abortivos Conduzirei minha vida e exercerei minha profissão com inocência e pureza. Não praticarei o corte deixando essa operação e outras aos especialistas que comumente se dedicam a praticá-la.

Quando entrar em uma casa, não terei outro propósito que o bem e a saúde dos enfermos, cuidando muito de não cometer intencionalmente faltas injuriosas ou ações corruptoras e evitando principalmente a sedução das mulheres jovens, tanto livres como escravas.

Guardarei sigilo do que venha ouvir e ver na sociedade e que não seja preciso divulgar, seja ou não no que diz respeito a minha profissão, entendendo ser discreto como um dever em tais casos.

Observando eu com fidelidade meu juramento, seja-me concedido gozar felizmente minha vida e minha profissão,  seja sempre honrado entre os homens: Se o quebro e venha a ser perjuro, caia sobre mim a desgraça.”

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O estímulo

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Medicamento para a homeopatia é considerado o que tem em si força capaz de alterar o estado de saúde do homem são. Esta potencialidade só se manifesta e pode ser identificada quando utilizada pelo indivíduo são e aí tem ele seu estado de equilíbrio desfeito, surgindo um quadro mórbido. cadinho 2

Isso é tão evidente quando analisamos os venenos e os produtos que trazem em si alguma toxicidade. Muitos medicamentos da matéria médica homeopática têm nesses a sua origem. Sem partir para inquirições da constituição química desses venenos e tóxicos, nota-se primeiramente que eles têm a capacidade de serem deletérios ao organismo, são dotados desse poder a eles intrínseco.

Já aqui fiz referência ao momento em que Hahnemann identificou que a China peruviana era capaz de curar a malária, fazendo em si próprio a experimentação. Sabia que era comum o seu uso direto e prolongado, o que provocava intoxicação.  A febre intermitente desaparecia quando não usada em excesso de dose ou de tempo. Naqueles outros casos surgiam problemas digestivos, hepáticos, sanguíneos e outros até comportamentais.

Intuiu Hahnemann que evitando seu uso direto, fugiria de seu poder tóxico. Como procedeu: triturou a casca do vegetal, desse pó fez infusão em álcool (tintura mãe). Usou dela uma gota em um volume de 100 ml de água, agitou-a. Nesse processo já inexiste parte física da casca do vegetal; ingerido em pequena dose durante certo tempo, passou a observar alterações em seu estado de saúde; estas semelhantes às que apresentavam alguns doentes da malária.

Newton descobriu a lei da atração dos corpos por uma força entre estes, quando foi atingido por uma maçã! Galileu observou o movimento pendular de uma lâmpada e mensurou o tempo do ir e vir com o seu pulso e identificou que esse era o mesmo! Assim foi a China peruviana para Hahnemann e a homeopatia. A genialidade do observador!

A formação e a estrutura do universo são resultado da força da gravidade. A imagem acima, captada pelo Telescópio Espacial Spitzer, mostra galáxias de várias formas e tamanhos (imagem: Nasa/JPL-Caltech).

A formação e a estrutura do universo são resultado da força da gravidade. A imagem acima, captada pelo Telescópio Espacial Spitzer, mostra galáxias de várias formas e tamanhos (imagem: Nasa/JPL-Caltech).

A medicação homeopática produzirá alterações no estado de saúde do experimentador são, desde que haja suscetibilidade dele ao estímulo em prova. Estas alterações abrangem desde o organismo físico, com alguma afinidade ou não a determinados órgãos, com mudanças no humor, na conduta, no sono, no psiquismo. Não é em todos que produz as mesmas mudanças e nem na mesma intensidade elas surgem. Todo este conjunto de observações individuais é tabulado e classificado num primeiro “quadro do medicamento” em experimentação.  Depois agrega-se a esse tudo que venha a ser observado na experimentação clínica, quando o estímulo é empregado em pacientes doentes e com sintomas similares aos que o medicamento desenvolveu no indivíduo são e levam ao seu desparecimento com melhoria e cura do doente.

Porque uma dose mínima de um produto inicialmente material, depois tão diluído que na solução dele não se encontram traços físicos sequer, é capaz de promover esta alteração no experimentador e no doente? Porque ele é capaz de produzir uma condição de doença artificial.

A cura homeopática ocorre quando a força vital, alterada pela doença natural, é atingida pela doença artificial semelhante. Resta que o estado mórbido provocado pela medicamento é de natureza mais intensa, forte e de espécie diferente.  Assim como a luz fraca das estrelas e mesmo da lua não é mais percebida quando a luminosidade do sol mais forte surge, como o som de uma flauta não é mais percebida com o ruflar de fortes tambores, a doença mais fraca existente desaparece quando sobrevém uma mais forte.

Ora a doença artificial (de duração mais curta) provocada pelo medicamento, havendo correspondência dos sintomas, é mais forte e desaloja o quadro da doença de forma profunda e duradoura. Isso é tido como lei natural da cura, comprovada por inúmeras experimentações puras.

As leis naturais são constatadas e demonstradas pela experimentação, podem até ser transcritas em fórmulas. Assim é com a Lei da Gravidade, também uma lei natural, presente e explicação suficiente para a atração dos corpos celestes e dos elétrons em torno do núcleo do átomo, de aplicabilidade universal. Para a homeopatia a similaridade dos sintomas é a lei natural da cura, comprovada pela experiência (experimentação pura, repetida).

Porque diluído o medicamento homeopático não age por sua toxicidade, mas por ter em si a capacidade de estimular dinamicamente o organismo a reagir e se reorganizar, uma vez livre (enquanto se libera) da doença natural. Os homeopatas o denominamos de estímulo para uma recondução ao equilíbrio.

Muito ainda há para expor e discutir sobre esse assunto e o procurarei fazer de forma fundamentada a quem possa se interessar que postarei em futuros artigos.

Fontes: Samuel Hahnemann – Organon da Arte de Curar – 6a. ed. Robe Editorial  (2001)

 

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Holística !

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cadinhoA homeopatia é reconhecida como uma forma holística de tratamento. Isto é verdadeiro. Entenda-se por holística a atitude ou ciência que sendo abrangente,  busca compreender o todo, no caso o ser humano. Sendo o todo reconhecido maior que o somatório das partes que o compõem e as partes se inter-relacionam. Acompanhe-me no que discorro e espero que venha a concordar comigo e com tantos outros que assim pensam.

Todos os que fizeram opção por esta ciência para tratamento de seus males, são nisso concordantes, pois na consulta sobressaem a importância do que é o padecimento da pessoa, em seu histórico: quando, como e onde. Sem polemizar afirmações e rótulos reconheço que a homeopatia só pode ser entendida como “tratamento alternativo” quando entendido como uma outra opção a ter quando tratar-se.

Na clínica homeopática dá-se total credibilidade ao que é relatado e todos os sintomas são anotados  no seu histórico mais significativo – (até mesmo quando apresentados com uma carga de tintas mais fortes). A incoerência do relato pode ser ela própria um sintoma.

Busca a homeopatia ter uma compreensão do ser humano (individual) fragilizado em seu equilíbrio, tanto em processo agudo quanto naquele crônico. Leva em consideração a constituição física, seu caráter, seu psiquismo e sua mente, seus hábitos e modo de vida, suas relações sociais e domésticas, sua idade e função sexual, etc. Enfim busca compreender sua natureza e sua forma de reagir no mundo e seu meio, para preservar a vida. Os desvios do equilíbrio, perceptíveis nos sintomas, representam a própria doença e seu quadro peculiar – o sofrimento daquele organismo e de sua “força vital”; do ser vivo, “animado”.

equilibrio do homemA natureza individual se expressa na forma de reagir a estímulos ambientais, climáticos, sociais e de convívio interpessoal; suas preferências  alimentares, se alguma ingesta causa transtorno, a forma de eliminação de excretas (hábitos intestinais, urinários e transpiração); ausência ou presença e intensidade da sede; medos, preocupações, ansiedade; sono e condições do mesmo; traumas e sofrimentos por perdas ou submissão prolongada por que tenha passado.  Eis um primeiro elenco e guia para apontamentos de uma consulta homeopática. Desses é possível abstrair uma imagem ou quadro do indivíduo doente.

Afirma o Dr. Samuel Hahnemann:  “Quando nossa força vital adoece pela ação de agentes nocivos ela nada pode fazer a não ser exprimir sua perturbação através do desarranjo no curso vital normal do organismo e através de sensações dolorosas com as quais ela apela ao médico sensato por ajuda”.  (Organon, § 22 nota explicativa)

Não é um único sintoma que representará a doença, esta se manifesta por um conjunto de sintomas de maior ou menor significado, dentro do processo de adoecer. É o organismo alertando para o que necessita ser removido para o restabelecimento da harmonia e da saúde. Cabe ao médico atento a sua observação e “leitura”, identificar a essência deles. Com a medicação – estimulo coerente –  tem-se o retorno da saúde, a cura. Restabelecendo todas as partes no funcionamento harmônico para – como afirma Samuel Hahnemann:  “… que nosso espírito racional que nele habita possa servir-se livremente deste instrumento vivo e sadio para o mais elevado objetivo de nossa existência”. (Organon, § 9).

Sim a medicação traz esse auspicioso resultado da cura, a eliminação da doença. Este é um tema de fundamental importância para a compreensão do retorno ao equilíbrio. Deve o paciente ser esclarecido de como se processa. Deixo aqui informações básicas e preliminares:

  1. É sabido que ele é buscado na natureza.
  2. Sua produção obedece a princípios de manipulação (não é processo industrial).
  3. São diluídos e dinamizados.

O diferencial maior e que conforma a fundamentação da homeopatia está em sua pesquisa e investigação. Todo medicamento homeopático é estudado nos efeitos que ele é capaz de provocar no experimentador são. Segue-se depois a experiência clínica: quando utilizado no doente que apresenta sintomas semelhantes aos que ele produziu no indivíduo sadio. Aqui o princípio da similaridade. Similia similibus curentur. (semelhantes são curados por semelhantes).

Este aspecto será visto no que postarei em breve: Estímulo.

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do equilíbrio e do desequilíbrio – 2

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Samuel HahnemannEm continuação do apresentado no textos anteriores, relembro que antes do Dr. Samuel Hahnemann (1755 – 1843)  ter-se debruçado sobre o principio de a cura por ação do semelhante não havia conhecimento homeopático e este principio não fora antes testado. Ele próprio cunhou a palavra homeo – patia (semelhante – doença). A natureza da pessoa tem sua individualização, diversidade. Diferenciando-se a forma de resposta ao que agride ou provoca desequilíbrio do estado saudável. O que na homeopatia denominamos noxa – influência nociva. Aqui se pode também observar que a individualidade comanda. O que para alguns pode ser a influência nociva que o leve ao desiquilíbrio, não afeta outrem. Por exemplo, uma aragem fria que passa pela fresta de uma janela entreaberta – pode adoecer um e outro não. Aquele que adoece apresentará algumas reações, que também serão características de sua natureza e individualidade, na forma, na intensidade, nos concomitantes. Estes formam a manifestação da reação, que pode levar à cura por si só ou na permanência deles como sintomas – a linguagem do corpo que o médico atento deve identificar à beira do leito. Sinais estes que a doença oferece – sinaliza – para que seja curado.

Hahnemann declara em seu aforismo do § 6: “O observador imparcial, … até mesmo o mais perspicaz, não percebe, em cada caso individual de doença, senão alterações do corpo e da alma, … sinais mórbidos, acidentes, sintomas, isto é, desvios das anteriores condições de saúde do doente atual,” … Qual o papel do médico então? O mestre Hahnemann questiona a prática da medicina de seu tempo e o esforço de buscar explicações para as doenças e de não atentar para aquilo que elas mesmas manifestam através dos sintomas.

Conforme atestam seus aforismos: “A mais elevada e única missão do médico é tornar saudáveis as pessoas doentes, o que se chama curar”, (Organon § 1). Porque  “O mais alto ideal da cura é o restabelecimento rápido, suave e duradouro da saúde ou a remoção e destruição integral da doença pelo caminho mais curto, mais seguro e menos prejudicial, segundo fundamentos nitidamente compreensíveis”, (Organon § 2).

O médico consegue atingir esse ideal de cura se ele tem a compreensão de qual é a doença e ainda o conhecimento do que cada medicamento é capaz de alterar – o que ele chama de a força medicamentosa. Sua importância como profissional não se limita ao momento da doença. Acrescenta –  “Ao mesmo tempo, ele é conservador da saúde se conhecer os fatores que a perturbam e que provocam e sustentam a doença e souber afastá-los das pessoas sadias”, (Organon § 4).

É tão corriqueiro para todos hoje a declaração dos nomes com que as doenças são rotuladas, o próprio jargão médico é de domínio público. São tantos ”…ites”, “…oses”, “…omas”! Os homeopatas não veem como de tanta valia, o nome isolado da doença.

Como observador imparcial o médico se atenta às alterações do corpo e da alma, reconhecíveis através dos sentidos. Estes são os desvios do anterior estado de saúde ou higidez. São eles a representação da doença ou ela própria. O Dr. Hahnemann discute essa preocupação em nota explicativa desse § 6 do Organon: … “Nas doenças, o que se manifesta aos sentidos pelos sinais não é para o artista da cura a própria doença? Já que a essência não material, a força vital que produz a doença nunca pode ser vista, mas somente seus efeitos mórbidos há por ventura, necessidade de ver a própria doença a fim de poder curá-la?”

No entanto, quando se pode identificar uma causa evidente que provoque ou sustente a doença, esta deve ser primeiramente afastada o que leva ao desaparecimento do desconforto, do mal estar.

Lembro-me aqui da narrativa de um colega que queixava-se por tempos de uma desconfortável dor em sua perna direita que dificultava a própria marcha quando era mais intensa. Fez uso de muitos medicamentos para seu alívio, mas isso era de pouca valia. Quando ia para sua fazenda numa viagem mais longa em sua camionete, era difícil de suportar. Um clínico atento  a quem fora consultar, observou que ele trazia em seu bolso traseiro direito a carteira saliente em volume. Perguntou então – “você usa sempre esta carteira nesse bolso?” A resposta foi afirmativa. “Não a use mais aí, seu desconforto e dor deverão cessar. A carteira aí faz compressão em sua nádega e nos nervos”. Atendeu à recomendação e ficou livre da “ciática” mesmo quando das viagens mais longas para a fazenda.

Primeiramente deve ser afastada esta causa da doença, entre outros exemplos – aquilo que provoca a alergia, a fratura corrigida e contida, os corpos estranhos retirados, etc. Então, os sintomas que surgem em sua totalidade formam o “… quadro do ser interior, da doença que se reflete no exterior, isto é do padecimento da força vital”. “É o principal ou único (sinal) através do qual a doença dá a conhecer o meio de cura de que ela necessita”… (Organon § 7).

Isto é o importante, o essencial que o médico deve levar em conta – “… a totalidade dos sintomas deve ser, … em cada caso de doença … o que precisa conhecer e afastar através de sua arte, a fim de que a doença seja curada e transformada em saúde”(Organon § 7) que se reflete no exterior, isto é, do padecimento da força vital, deve ser o principal ou o único através do qual a doença dá a conhecer o meio de cura de que ela necessita, … – em suma, a totalidade dos sintomas deve ser, para o artista da cura, a coisa principal, senão a única que ele, em cada caso de doença, precisa conhecer e afastar através de sua arte, a fim de que a doença seja curada e transformada em saúde”.

O Dr. Hahnemann define outro conceito basilar o da chamada “força vital”. Afirma que sem ela o organismo deixa de ser vivo e passa a apodrecer, a decompor-se em seus componentes químicos. Ela é que impera no estado de saúde. “… reina, de modo absoluto a força vital de tipo não material (autocratie) que anima o corpo material (organismo) como “Dynamis”, mantendo todas as suas partes em processo vital admiravelmente harmônico nas suas sensações e funções, de maneira que nosso espírito racional que nele habita, possa servir-se livremente deste instrumento vivo e sadio para o mais elevado objetivo de nossa existência”, (Organon § 9).

Como já ficou dito: essa força vital perturbada, pode por si mesma voltar ao seu estado de saúde anterior por si só, restaurando, reequilibrando. Persistindo este estado de desequilíbrio tem-se a doença. A chamada “força vital ou dynamis” é que sofre. O reequilíbrio será encontrado pelo efeito dinâmico do estímulo “medicamentoso” sobre a força vital, da mesma forma que o desiquilíbrio (doença) ocorreu por igual efeito dinâmico de natureza contrária à vida.

O tema pode parecer um pouco árido. Apresento com intuito de informação mais substanciosa para aqueles que procuram na Homeopatia ajuda ou para aqueles que buscam o conhecimento dela.

Os próximos textos abrangerão também aspectos das reações individuais e das denominadas doenças crônicas.

Francisco Sales

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do equilíbrio e do desequilíbrio – 1

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Sobre o tema homeopatia apresentarei páginas sequenciadas, tentando buscar informar os seus princípios para uma melhor compreensão, sem perder as ligações da evolução da ciência médica.

Em texto anterior comemorativo da homeopatia no Brasil apresentei a discussão de que esta é uma ciência, não é empírica e seu processo é de experimentação e observação meticulosa dos fenômenos.

O conhecimento humano evolui. O saber de hoje pode ser melhor compreendido com uma visão histórica dele próprio. O pensador Augusto Comte afirma com muita verdade em uma de suas máximas “Não se conhece completamente uma ciência enquanto não se souber da sua história“.

Faço aqui um apanhado sobre o surgimento da organização do conhecimento homeopático, da sua origem e fundamentação. Não quero aqui dizer que desde tempos antigos surgiu a homeopatia, mas que a ciência de curar admite desde sempre dois princípios basilares distintos de atingir esse objetivo nobre que cabe ao artista da cura.

Hippocrates e a escola de CósHipócrates (460-370 a.c.) era um “Asclepíade” – certo agrupamento familiar e religioso que dominava o conhecimento e a  prática de atos de atenção à saúde. Reconhece-se nele o formatador do saber da cura, nos seus dias e para a posteridade. Seus estudos advêm da Babilônia e Egito. Fixou-se em Cós onde havia um templo dedicado a Esculápio – na mitologia grega o deus da medicina. Ele com seus seguidores constituem uma escola médica em que era ensinado que a cura processa-se tanto pelo combate dos sintomas (ação contrária), como por uma ação correspondente ao que trouxe a doença (ação semelhante). Em qualquer dessas opções, o médico – observador – é um auxiliar, que avalia, identifica os sintomas e o estado do doente. O seu papel é interferir unicamente para proporcionar ao doente as condições suficientes e certas para encontrar a cura. Hipócrates afiançava que o próprio organismo se reequilibra e cura-se (vis medicatrix naturae – força da natureza que medica -). Dá-se a ele o título: “pai da medicina”.

Para ele também o nosso corpo não é um conjunto de órgãos, mas uma unidade viva. Para a cura é preciso conhecer o homem, pois sua natureza o regula e o harmoniza. Conhecendo sua natureza individual e forma de reagir é como pode o médico auxiliar na cura.  Hipócrates sistematizou seus conhecimentos e ensinos para a prática da medicina nos denominados “aforismos”.

Procure acompanhar-me para um entendimento do que é “curar-se”. Estando vivos eliminamos, gastamos energias, vem o cansaço. A sede, a fome, o sono, são os alertas, que o organismo tem, para que supramos as necessidades e conservemos o bem estar.  É uma linguagem da natureza advertindo sobre o que precisamos. Quando advém o mal estar, um desarranjo, a dor, perversões ou males que ameaçam a vida, chamamos a estes sinais de sintomas . É, pois, a própria natureza a sinalizar as necessidades para o retorno ao equilíbrio. A primeira linguagem está nos instintos, na fisiologia. Já os sintomas são a segunda linguagem, aquela que cabe ao observador atento identificar, reconhecer (análise racional).

Todos já experimentaram situações de algum embate na saúde em que delas se saíram muito bem, sem maiores consequências. Isto corresponde ao indivíduo com boa imunidade, com seu físico e psique bem equilibrados. Pode até sentir alguns achaques, temores, tristezas num momento e depois restabelece. Retorna à homeostasia num reajuste dinâmico. Eis aqui a “vis medicatrix naturae” – força da natureza que trata – de Hipócrates. É inerente à própria natureza o buscar manter-se hígida. O sangue é fluido, mas caso haja necessidade – o corte, o trauma – ele coagula e estanca o sangramento.

Bom, presume-se que a humanidade em certo tempo até fosse mais sadia. As doenças mais graves referidas em livros antigos, ainda hoje nos acompanham em nossos dias: a lepra, a tuberculose como exemplos. Aparentemente romântica, esta ideia é procedente tanto para quem admite o criacionismo, quanto pelos defensores da evolução – sobrevivência do mais forte, do mais capaz que transmite seus dons e dotes à sua prole. Terão as migrações, as expansões, as dominações, as guerras desde a Mesopotâmia, Egito, Macedônia, Roma etc., determinado mudanças na saúde dos povos? Por certo que sim.

O Prof. José Rosenberg (Boletim de Pneumologia Sanitária – janeiro 1999) afirma que em Tebas encontraram-se múmias de jovens faraós com evidentes sinais de lesões de tuberculose; datação de 3000 AC. Para essas doenças as medidas eram mais de segregação ou banimento, sempre também tidas como castigo, configurando o próprio pecado, a maldição.

Os textos bíblicos narram inúmeras curas operadas por Cristo, limpando e sarando quem padecia. A idade média com o todo obscurantismo, não propiciava espaço para o  progresso do conhecimento médico e o crescimento dos aglomerados urbanos, sem hábitos de higiene, favoreciam o aparecimento de doenças. Se lembrarmos de que os romanos se distinguiam pela edificação de “termas” e banhos públicos muitos séculos antes; pode-se afirmar que esse período foi em muitos sentidos um retrocesso na história da humanidade.

Para exemplificar e como curiosidade sobre o que agora converso – doença e cura – faço aqui referência a uma prática de séculos: colocava-se uma moeda de ouro com a esfinge do rei sobre a ferida tuberculosa (escrófula) acompanhado das palavras sacramentais – “o rei te toca e Deus te cura”. A nobreza ia ao beija-mão do rei, os pobres tuberculosos – excluídos – iam ao toque da moeda com a esfinge do rei! Nem estes nem aqueles tomavam banhos suficientes!

GalenoSe alguma área da medicina neste longo período evoluiu foi o conhecimento de práticas cirúrgicas. Nisso as guerras sempre foram ótimos tempos para esse avanço, até mesmo em nossos dias. Durante séculos depois de Cristo foi Galeno, de Roma (126 D.C.) outra grande influência na medicina, no conhecimento anatômico e também na fisiologia. Ele fazia dissecções em macacos e assim os estudava. Algumas de suas observações e conclusões só foram abandonadas no século XVI. É dele a descoberta de que pelas artérias passa o sangue e não ar!

O quadro no século XVII e XVIII era pouco diferente, mesmo que o conhecimento em outras áreas tenha sido brilhante (artes, filosofia, mecânica, navegação, astronomia, etc.) a medicina era predominantemente não experimental e agressiva. Arraigada ainda em procedimentos de limpeza dos humores, de catárticos e sangrias. É preciso separar aqui o conhecimento médico: em clínico e em cirúrgico, nesse tempo. Por essência o clínico precisa conhecer os sinais, os sintomas e o medicamento para aplicá-lo e o que dele esperar (seus efeitos).

Continua em do equilíbrio e do desequilíbrio 2.

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A medicina  do equilíbrio

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Hoje é dia comemorativo da ciência médica da cura pelo semelhante. O médico Samuel Hahnemann no seculo XVIII depois de desilusão com o que conheceu e praticou da medicina em seu tempo, sendo eminentemente clínico, identificou o caminho que a Homeopatia poderia trilhar e ajudar as pessoas a se curarem.
Como começa o fundador da nova homeopatia? Depois de traduzir um livro Materia Médica escrito pelo médico William Cullen, onde trazia descrição, relatos e modo de usar o “medicamento” Quina. Os indios Quéchuas e outros, empregavam-na como relaxante muscular, e quando tinham fortes calafrios e tremores nas altitudes dos Andes. Esta ávore chamou-se também árvore da Febre.
Neste período grassava na Europa o paludismo ou malária, usava-se as cascas da quina para seu tratamento. O inquieto Hahnemann discordou das teses do autor do livro que ele traduzia. Sua posição na interpretação do que era relatado, foi contrária a esse uso empírico, o uso simples: “porque bom”. Lançando mão de procedimentos de experimentação com as denominadas tábuas de Bacon (Francis Bacon – 1561-1626), com metodologia científica, registrando o fenômeno presente ou ausente, suas variações circunstanciais de como e quando, etc., começou suas observações. Fez ele próprio a trituração e diluição da casca da quina. Ele Homem são usou, durante o período de um mês, estas diluições. Foi registrando tudo (tabulando) conforme o método científico experimental. O que aconteceu: passou o Dr. Hahnemann sofrer febres, calafrios, dores nos ossos, dores de estômago, tremores, em tudo semelhantes ao que era visto e relatado pelos doentes da malária.
Qual foi a sacada genial? Ah, a quina provoca os mesmos sintomas que ela cura!
Séculos antes de Cristo, Hipócrates já havia ensinado que a cura das doenças ocorre tanto por ação de efeitos contrários ou por ação de efeitos semelhantes aos da doença. Com base nesse fundamento Hahnemann criou o termo Homeopatia.
Seus estudos clínicos foram de bons resultados, continuou experimentando mais e mais medicamentos ele próprio, sempre fiel ao método experimental. Angariou grande simpatia no meio médico e grande número de seguidores do seu método. Elaborou seus princípios e fundamentos científicos e filosóficos no livro Organon da arte de curar, denominou os seus parágrafos de aforismos. Seu trabalho foi muito intenso e produtivo. A Homeopatia passou a ser denominada a Nova Escola.
Como curiosidade: o livro fundamental da filosofia e método de Francis Bacon – Novum Organum; Hipócrates escreveu seus aforismos.
Hahnemann afeito ao processo de investigação científica, além de médico era quimico, geólogo, tradutor de grego, latim e outras linguas.
Hoje a pretenção é demonstrar que nasceu ciência e é uma ciência médica. Tem pardígmas distintos da também ciência médica halopatia.
Ainda trataremos mais neste Boa Saúde on line sobre a Homeopatia.

 

Francisco Sales

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