Santo remédio!

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Crianças sempre nos surpreendem.

Período de férias, no final delas, Sofia de cinco anos recebe suas primas para passar alguns dias em sua casa. As primas são duas: Ana tem 9 anos, a menor Heloisa tem quatro anos. Ana, logo que chega se enturma e brinca mais com Isabel, a irmã de Sofia, ela também de nove anos. As primas chegaram trazidas pela tia Val.

A saudade que sentiam entre si logo fica patente pelos gritos, saudações e abraços, no imediato do encontro. Cada uma tem seu “gênio”, seu temperamento e evidentemente suas maniazinhas, pois são pequenas.

Conversaram, brincaram demais, a fantasia sempre em evidência nos folguedos, tanto com as bonecas como em canções e pequenos shows improvisados, sem nenhuma orientação nem roteiro, cada hora uma fazendo o papel de diretor. Soltam-se e são bem espontâneas. Adultos, quando não convidados como espectadores com o obrigatório aplauso compensador, não são bem recebidos. Provocam acanhamento e inibição nos pequenos astros. Estes momentos se perenizados em documentário, o que hoje é muito fácil de se fazer, serão curtidos em momentos familiares de enlevo e prazer saudoso.

A mãe de Ana e Heloisa não pode acompanhar, desta vez. Havia se comprometido com familiar que necessitava de cuidados dela. Este fato de terem vindo sem os pais é que proporcionou a observação do que agora narro.

Heloisa em outras ocasiões, mesmo querendo muito dormir em casa com as primas, nunca chegava a completar o desejo; desesperadamente clamava em prantos pela presença da mãe, o que era forçoso levá-la de volta para sua casa. Agora já não moram na mesma cidade que Sofia e Isabel sentia-se o prenúncio de um grande barulho.

Logo na hora do banho, este é coletivo e também no meio de muita algazarra. Como sempre a brincadeira prolongou-se ainda por mais um tempo e para dormir, quem diz que aceitaram separar-se. Deu-se um jeito com colchões colocados ao chão. Conversas e risos continuaram, até que Heloisa rapidamente corre para o quarto onde ficaram as malas e sem esconder nem fazer alarde, vem com um pequeno pano apertado ao seu colo.

– O que é isso Heloisa? – perguntou a mãe de Sofia quando a viu passar.

É o cheirinho da mamãe, para eu dormir.

Isabel e Sofia também questionaram aquela atitude da pequena Heloisa.

– Ela sempre usa esse paninho com o cheiro da mamãe para dormir – explicou Ana.

O fato é que depois da oração, puseram-se a dormir como anjos que são.

Durante todo o período que permaneceram aqui, repetia-se a mesma cena para adormecer.

Sofia, no dia seguinte que foram embora as primas, voltou ao seu hábito do – “deixa dormir só um pouquinho com você mamãe!” – E lá ia ela enrolar-se um pouco sob os lençóis com a mãe, depois ia para sua cama.  Na noite seguinte a mãe lembrou a ela que Heloisa bem menor que ela dormia tranquila sem a mãe.

– Me dá um cheirinho seu para eu levar comigo, então mamãe! –
disse num desafio a pequena.

A mãe tira a fronha de seu travesseiro e dá-lhe. Ela carrega-a toda feliz e vai deitar-se. Dormiu sem nenhuma queixa ou pedido. Depois nos dias seguintes sempre foi direto para sua cama com “o cheirinho da mamãe” . Não teve mais dificuldade para iniciar o sono.

Heloisa já sabe do remédio que ensinou para a prima dormir sem ser importuna. Santo remédio.

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Autismo

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Sempre estamos aprendendo. Hoje é dia dedicado a lembrar os pequenos autistas, por recomendação da OMS. Uma data como esta tem como resultado o reconhecimento dessa doença, sem estigmatizar os doentes, mas sim a humana consideração da diferença deles.

Em dezembro do ano passado a presidente Dilma promulgou lei (12674/2012) em exclusiva atenção aos autistas, reconhecendo seus direitos em igualdade com os demais cidadãos e a eles em especial, dando garantias legais, naquilo que sua diferença traz de especial.

A lei define “a pessoa com transtorno do espectro autista” a portadora de “síndrome clínica cuja deficiência seja persistente e clinicamente significativa da comunicação e da interação sociais”, com deficiência da fala, por comportamentos repetitivos e ou estereotipados e ritualísticos.

Elogiável a intensão de o dispositivo legal no estabelecer políticas de garantias a este grupo de cidadãos, garantindo os direitos fundamentais e proteções específicas e apropriadas, resguardando-os de qualquer tipo de discriminação.

Garante atenção integral às suas necessidades de saúde, o diagnóstico precoce, atendimento multiprofissional e o acesso a medicamentos e nutrientes; inserção no mercado de trabalho; “incentivo à formação de profissionais especializados com transtorno do espectro autista, com como a pais e responsáveis” e ainda estimulo a pesquisa científica desse transtorno.

Elenca também como direitos específicos da pessoa com transtorno do espectro autista:

  • a vida digna, a integridade física e moral, o livre desenvolvimento da personalidade, a segurança e o lazer;
  • a proteção contra qualquer forma de abuso e exploração;
  • o acesso a ações e serviços de saúde, com vistas à atenção integral às suas necessidades de saúde, incluindo:
    • a) o diagnóstico precoce, ainda que não definitivo;
    • b) o atendimento multiprofissional;
    • c) a nutrição adequada e a terapia nutricional;
    • d) os medicamentos;
    • e) informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento;

Contempla o acesso à educação e ensino profissionalizante, previdência e assistência social; contempla um Parágrafo único: Em casos de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos termos do inciso IV do art. 2o, terá direito a acompanhante especializado.

Mais, garante no: Art. 4o A pessoa com transtorno do espectro autista não será submetida a tratamento desumano ou degradante, não será privada de sua liberdade ou do convívio familiar nem sofrerá discriminação por motivo da deficiência.

Prevê penalidade para: O gestor escolar, ou autoridade competente, que recusar a matrícula de aluno com transtorno do espectro autista, ou qualquer outro tipo de deficiência, será punido com multa de 3 (três) a 20 (vinte) salários-mínimos.

Realmente, o que contempla esta lei, é em tudo louvável. O encargo maior cabe e é atribuição do próprio Estado. Pais têm sofrido, mesmo com todo o suporte que o amor que dedicam a seus filhos portadores do transtorno possa ser bálsamo ou lenitivo. Alguns entendem até mesmo como um karma. Todos merecem nosso reconhecimento pelo desvelo com que cuidam, pela esperança que sempre carregam.

Qual a causa desse transtorno? Eis uma questão inquietante para eles e também para aqueles que militam no atendimento à saúde de um modo geral. Quanto mais precoce o seu diagnóstico, maiores e melhores as chances de resultados para um futuro mais animador.

Este assunto trouxe-me inquietação estou buscando mais informações para aprendendo poder compartilhar com todos.  De momento deixo aqui a possivel conexão de uma mãe que busca experiências e traz seus depoimentos animadores, AQUI.

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E o que há de mal?

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É uma verdadeira arte o Marketing, utilizando conhecimentos de várias ciências para lograr a sua meta. Se deixado a serviço e interesse exclusivo do ganho, “do vender mais”, pode tornar-se sem escrúpulos, sem ética. Felizmente seus riscos são por demais conhecidos. A ética da classe, contida nos regulamentos do CONAR e nas leis, susta maiores malefícios e desmandos.

Num contexto geral, principalmente na propaganda de alimentos ou correlatos, a força de convencimento da publicidade é maior que o comportamento crítico das pessoas. Acabamos sendo “dominados” pelos seus conteúdos e resolvendo “compras” ou tomando atitudes “enquadradas” nas necessidades criadas e absorvidas como tal. As crianças e adolescentes são ainda mais “conduzidos”, e se não houver uma atenção maior dos pais, acabam conduzindo também estes.

É isso mal? Intrinsecamente não. Mesmo sendo uma ciência relativamente nova, tem o Marketing sua origem nos mercadores da antiguidade – estes, circulando mercadorias e dinheiros, mudaram o mundo. Parabéns para eles e para a humanidade.

Onde então está o mal? Na nossa fragilidade, em nossa tendência a buscar a simplificação, o caminho mais curto, em sermos crédulos em tudo que se apresenta como bom, bonito, palatável, distintivo de posição social, estar na moda, etc. É só recordar do cigarro e o hábito de fumar nos anos 60 e seguintes. As campanhas com o tempo acabaram por gerar um comportamento: a forma de ser aceito. Consequência: muita riqueza, muitos impostos – mas também muitas vidas, muito dinheiro público gasto na saúde, até nos dias de hoje. Agora vem o alerta, que usando os próprios instrumentos da promoção, alardeia os danos e os riscos do hábito de fumar!

Pergunto: não fora por imposição legal do alerta, estaria a indústria tabaqueira agindo assim? – Isto lhe faz mal, mas se for de sua vontade, use. cantina escolar

Um estudo (2008-2009) realizado nos EUA, pátria modelo do nosso consumismo, por Brent A. Langellier, publicado em 2012, teve como ponto de partida a avaliação da influência da presença dos pontos de venda de alimentícios não-saudáveis nas proximidades das escolas.

Avaliou mais precisamente a possível influência da presença dos quiosques de esquina e dos fast-foods em torno das escolas públicas de Los Angeles e a prevalência de obesidade entre os escolares. Primeiro identificou-se que os quiosques (vendas de esquina) e locais de distribuição de alimentos não-saudáveis têm um reduzido estoque de itens considerados saudáveis. Estes pequenos estabelecimentos tendem a se aglomerar nas proximidades das escolas. Mais, os adolescentes e crianças ai adquirem alimentos sabidamente não-saudáveis.

Diz o autor da pesquisa: “Minha hipótese era que os estudantes que frequentam as escolas próximas dos quiosques e restaurantes de fast-foods têm maior acesso a alimentos não-saudáveis e talvez o risco de sobrepeso maior que os escolares que frequentam escolas que não estejam próximas de tal tipo de venda de comidas”.

Na pesquisa foram consideradas variáveis tais como: raça (branco, negro, asiático ou latino); se a escola era localizada em área urbana, suburbana ou rural e ainda o grau da escola: elementar, média e “high school”. O universo pesquisado foi de 1694 escolas. Encontrou-se: Em 65% dessas escolas os latinos eram maioria, em 11% a maioria era de brancos, em 3% com maioria negra e em 5% a maioria era asiática. (64% das escolas tinham quiosques de venda de alimentos e fast-food localizados em um entorno de 800 m). Entre as escolas cuja maioria era de latinos verificou-se que aquelas que tinham num raio de 800 m um quiosque ou restaurante de fast-food havia uma prevalência de 1.6 pontos percentuais a mais de obesos que naquelas em que nessa distância não tinham este tipo de comércio. Não foi encontrada diferença de prevalência de sobrepeso dos alunos quando se avaliou a variável racial.

Diz também o estudo que 17% das crianças e adolescentes são obesos e 32 % deles naquele país têm sobrepeso. Considerando o total de alunos, a presença de restaurantes fast-food no entorno de 800 m da escola não demonstra ser associada com o sobrepeso dos estudantes. A presença, todavia, de quiosques de esquina com oferta de alimentos não-saudáveis, nesses 800 m entorno das escolas cuja maioria era de origem latina, correlaciona-se com significativa incidência e prevalência de sobrepeso nesses estudantes. Não foi identificado dado significativo naquelas escolas, de qualquer predominância racial, cujos alunos estavam incluídos nos programas de alimentação na escola. Esse programa restringe nas cantinas a oferta de alimentos não-saudáveis.

Afirma o prof. Langellier: “Eu encontrei que a presença de pelo menos um quiosque de lanches no entorno de 800 m de uma escola está associado com uma significativamente elevada prevalência de sobrepeso entre escolares naquelas escolas de maioria Latina. Uma possível explicação para este achado é que os estudantes adquirem alimentos não-saudáveis e itens de bebidas nas lanchonetes do entorno da escola, o que então aumenta o risco desses estudantes ficarem com sobrepeso”.

Os latinos residem em áreas onde mais adensam os pontos de venda de alimentos não-saudáveis. Têm já o hábito familiar da procura desses alimentos. Isto confirma que a permanência de qualquer atividade comercial num local só se entende porque há possibilidades dela prosperar.

Fica a pergunta – mudando a qualidade dos alimentos estocados nesses quiosques haveria mudança (educativa) de hábitos?  nao podem faltar Cabe ao poder público local (município) – legislativo e executivo – estabelecerem mecanismos que reduzam este hábito dos escolares. A atitude iniciada com as disposições da portaria conjunta dos ministérios da Educação e da Saúde é um avanço, porém é evidente que o afastamento desses pontos de venda tem de ir além do muro interno da escola e ultrapassar mais de 1 km além dele.

Os achados, também a meu ver, reforçam a premissa de que os hábitos alimentares em família são o fator de maior peso quando na decisão de escolha do alimento: as escolas localizadas em bairros com predominância de latinos são as de maior prevalência de sobrepeso e obesidade. O estilo de vida americano é como uma miragem para os imigrantes, uma aspiração agora alcançada. Também, são as crianças aprendizes do que escolher para comer com os exemplos dos parentes com quem convive.

É hora, então, de os pais conscientes, e que buscam uma vida saudável, se preocuparem com os exemplos que “ensinam” seus filhos. Isto principalmente no que tange ao excesso de consumo de açúcares – refrigerantes – e o uso desmedido do sal, este nem deverá estar de fácil alcance nas casas e mesas. A própria Academia Norte Americana de Pediatria em análises dos efeitos da publicidade nas crianças e adolescentes tem encontrado evidências de que as crianças com menos de 8 anos são indefesas, no sentido cognitivo e psicológico, no tocante à propaganda. Por esta razão devem ser, de certo modo, protegidas da publicidade sendo injusto e enganador fazer propaganda para estes pequenos. As leis de muitos países já atentam para isso.

No Brasil o CONAR, buscando antecipar-se aos legisladores, apresentou às casas de leis nacionais alterações no seu código de auto regulação publicitária. Neste código – a Seção 11 – Crianças e Jovens – o artigo 37 – diz: “Os esforços de pais, educadores, autoridades e da comunidade devem encontrar na publicidade fator coadjuvante na formação de cidadãos responsáveis e consumidores conscientes. Diante de tal perspectiva, nenhum anúncio dirigirá apelo imperativo de consumo diretamente à criança”. O órgão regulador ainda disseca mais o assunto e especifica as proibições de ordem da ética profissional. O conselho, organismo regulador profissional, demonstra sensibilidade para com o tema. A meu ver tais normas deveriam ser leis, para uma força maior.

O CONAR atua principalmente com base em denúncia e podendo até agir “ex-officio”, mas este caminho será sempre mais moroso. A sociedade deve conhecer essas normas, para preservar as crianças das más influências de publicidades – principalmente em campanhas de produtos destinados à alimentação.

Felizmente a imprensa tem noticiado algumas atitudes por parte das autoridades de saúde e educação que merecem elogios. Lamentável é que só agora se atentam para isso. Antes tarde do que nunca. Os questionamentos têm de ser feitos pelas pessoas conscientes e a sociedade organizada e atenta.

Fontes :
Langellier BA. The food environment and student weight status, Los Angeles County, 
CONAR: Código Brasileiro de auto regulamentação publicitária.
Obesidade nas escolas
Como orientação de como alimentar nas escolas – cadastre-se!

 

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Não é o que se esperaria!

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Por vezes pode-se pensar que nossa decisão em ingerir isto ou aquilo não seja tanto influenciada por elementos publicitários. Todos nós sabemos que o estresse é um fator indutor do apetite, por vezes desenfreado. O tempo gasto por crianças assistindo programas televisivos ou nos chamados ”videogames” leva-os a um clima e nível de estresse, provocados pelo suspense da ação, pela iteração, pela competição com o segundo jogador e consigo mesmo, para passagem de fase. Resultado disso: maior apetite. Qual o objeto de desejo, para saciar?viedojogos (1)

A indústria de alimentos buscando um marketing efetivo, querendo ser educativa – para seus produtos – incentivando o consumo de frutas e outros alimentos tidos como corretos e saudáveis. Distribuem e promovem videogames em que a recompensa é estes alimentos.

Inicialmente surge em nós o desejo de aplaudir a atitude, elogiar a iniciativa.

Para conferir o que realmente ocorre eis os resultados de um estudo publicado pela revista “American Journal of Clinical Nutrition”, em sua edição on line de dezembro de 2012. O estudo é da Universidade de Amsterdam, Holanda, conduzida por Frans Folkvord e outros.

Um grupo de 270 crianças com idades entre oito e 10 anos. 69 delas jogaram videogame publicitário de petiscos ricos em caloria, 67 jogaram “videogames” que promovem frutas, 65 os “videogames” que não eram de promoção de alimentos; grupo controle de 69 que não jogavam nenhum “videogame”. Depois de cinco minutos de jogo, as crianças eram liberadas para comer o que quisessem de frutas e petiscos calóricos.as emoçoes do jogo

Resultado: crianças que brincaram com qualquer dos jogos com marketing de alimentos comeram mais calorias do que as crianças que jogaram “games” que promovia um brinquedo ou que não jogaram nenhum “game”.

Especificamente :

  1. Aquelas que nada jogaram ingeriram 106 calorias cada.
  2. As dos jogos cuja promoção era um brinquedo: 130 calorias.
  3. As dos jogos promovendo frutas: 183 calorias.
  4. As dos “games” que promoviam doces e guloseimas: 202 calorias.

À Reuters Health, disse o pesquisador – “entendo que estes videogames (advergames) promovem a fome”.

Fica evidente que estes joguinhos não promovem o que pretendem. As crianças que jogaram “games”  tanto de doces ou frutas, depois dos 5 minutos de jogos, ingeriram a mesma quantidade de frutas – 32 ou 33 calorias – O restante das calorias vieram dos docinhos.viedojogos (2)

Nossas crianças já têm dificuldades para adquirir um hábito salutar na alimentação, com tantas publicidades e tantos apelos, de que em parte discutimos recente em Conflitante, mais fragilizadas ficam com esses joguinhos.

Buscando um equilíbrio entre controlar o que as crianças acessam de jogos e outros sites em internet e TV; na busca de uma orientação de alimentação saudável, as conclusões desse estudo servem de alerta e um contraponto crítico.

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Aleitamento ao seio materno.

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Houve tempos em que ser o bebê fofo era ter as dobrinhas de punho, cotovelo e tornozelos. Isto correspondeu à época em que muito se estimulou o uso de fórmulas na nutrição dos recém nascidos com as mamadeiras, quando eram ainda “engrossadas” com algum amido.

Perinatologistas e puericultores  felizmente perceberam isto e deu-se início a uma batalha para promover o aleitamento materno.

Nada mais normal e mais natural. Somos da classe dos mamíferos, não só porque portamos mamas –  tanto machos quanto fêmeas –  mas precisamente porque nossas crias quando pequenas mamam e necessitam de mamar. Esta é a forma mais simples de suprir todas as necessidades para o desenvolvimento da criança.

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O ato de amamentar promove todo um “clima”. Leva a jovem mãe a desenvolver laços com sua criança, a proximidade entre ambos, os olhares se encontram! Com o prazer da necessidade suprida, o bebê identifica aquele rosto, aquele cheiro e pele materna como a fonte do mais puro prazer. A sucção promove liberação de ocitocina – “hormônio do amor” – que contrai os ácinos da glândula mamária, fazendo o leite chegar pelos canais até ao mamilo; contrai também o útero. No imediato após o parto essa contração uterina é  geralmente dolorosa, todavia é benéfica: leva-o a retornar mais rápido ao seu tamanho de antes da gravidez. Depois deixam de ser desconfortáveis e nem são percebidas como tais. Nota-se só uma difusa sensação prazerosa. A ocitocina tem ultimamente sido chamada de “hormônio do amor” por ser produzida nos jogos preliminares da relação sexual, aumentando mais ainda no orgasmo e depois dele. Além da mãe envolvida e parte fundamental do ato de aleitar, em que toda essa dinâmica hormonal e psicológica ocorre, estudos em neurociência concluem que o recém nascido também provoca no pai a produção de ocitocina. Isto ocorre quando feliz pelo filho o segura nos braços ou o acalenta.

Esse “clima” de enlevo e encantamento faz com que o leite não só aporte nutrientes e elementos de defesa para o novo e querido ser, mas carreie junto: afeto, atenção, carinho, sorriso  ou numa só palavra –  amor. Nutriente essencial para a construção do ser humano, no seu espírito, no seu psiquismo.

Ai está claro que no ato de amamentar o organismo materno e do bebê estão – e funcionam na produção hormonal – como num namoro. Por isso é importante que o ambiente seja propício e adequado, que o espírito materno e sua mente não estejam povoados de apreensões, angústias ou raiva. Todas condições contrárias àquelas necessárias a um bom resultado.

Pelas razões das necessidades de sobrevida e desenvolvimento físico o aleitamento ao seio materno deve ser exclusivo e começar logo nas primeiras horas. Em razão das necessidades da formação psicológica e desenvolvimento emocional da criança isto tudo é verdadeiro, seu tempo deve ser alargado  por um ou até dois anos.

A criança desde o nascer é ávida pelo seio. Não é curiosidade, mas uma constatação:  no parto humanizado, quando o recém nascido, sem nem ter sido limpo, é colocado sobre o tronco e colo materno, ouve os batimentos do coração dela, logo interrompe o choro. Junto ao seio desnudado da mãe, sendo estimulado com a aproximação do mamilo, logo mama; alguns mais firmemente  que outros, dependendo  em parte das condições ao nascer.

Nestes últimos 30 anos, os berçários das maternidades foram abolidos, provocando o alojamento conjunto de mãe e filhinho já desde as primeiras horas. Mesmo para aqueles nascidos de cesariana. Aboliu-se a mamadeirinha com glucose ou chazinho adoçado. Todas estas foram práticas que estabelecidas fizeram com que o aleitamento materno se firmasse e voltasse a ser a condição normal e procurada.

No Brasil, com as campanhas oficiais de incentivo e esclarecimento do valor e importância do aleitamento ao seio materno, um dos primeiros índices que se observou em queda foi na taxa de mortalidade infantil e por detrás dela – e que a suporta – a gritante diminuição das internações por diarréias  no primeiro ano de vida.

Com isso o país ganhou, os pais ganharam, menos bebês sofreram. Hoje tem-se uma percepção de sua importância. A legislação concede à mãe o afastamento de suas atividades laborais por 120 dias corridos. Tem de retornar ao trabalho, no vencimento da “licença maternidade”. É defensável prolongar esta lincença por um período maior. Pelo menos pelo dobro do que é. Os ganhos com uma medida semelhante são fáceis de ser previstos. A  necessidade que têm os bebês da presença materna (sua fonte de alimento) é mais longa que estes curtos 120 dias! Os benefícios serão maiores e atingir-se-á redução de morbiletalidade e melhoria dos indicativos de bem estar.amamentando

Como corolário desse juizo, acompanhe-me: O que se investiu para o retorno do hábito de amamentar a criança trouxe incontestáveis resultados. Instituir campanhas esclarecedoras e estimuladoras da melhor postura materna ao aleitar; prolongar, por amparo legal, este tempo dedicado ao aleitamento por um período de pelo menos seis meses do nascimento da criança! – Aposto que os índices de morte violenta e outras delinquências juvenis, cairão  e muito, resultando dai uma sociedade mais harmonizada e mais humana (afetiva).

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Estamos na antevespera do Natal. Comemoramos o nascimentodo menino Jesus – Deus que se fez homem! Mesmo abstraidos da iconografia cristã e católica, não conseguimos imaginar este menino a não ser amamentando em Maria sua mãe, na alegoria dos presépios e lapinhas lá está a figura de José atento e contemplativo. Não havia falta de sucedâneos do leite, observem as ovelhas e a vaca!

Para sua curiosidade e surpresa Senhora do leite

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Aconchego

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para o sono do bebê!
Nasce a criança e logo uma preocupação surge, como será o  seu sono? Porque, da qualidade do sono da criança, dependerá também o sono da mãe e até do pai.

Espera-se que uma criança nascida saudável, de bom peso, com boas notas de APGAR, e de termo (em torno das 40 semanas) tenha bom sono.

Pode-se voltar um pouco no tempo da gestação, as ansiedades, os medos e angústias maternas; a aceitação da gravidez…, sim tudo isso tem seu reflexo depois do nascer. Quem fez a experiência, quando grávida, pode testemunhar: nos momentos de relaxamento, ouvindo músicas ou agradáveis sons da natureza, a criança tranquiliza, diminui o movimento no ventre materno; quando o pai, acariciando a barriga da grávida, (depois de estabelecida uma certa rotina) conversa com o bebê, este também pára como para ouvir. Isto é comprovado, temos que lembrar que nossos sentidos se formam durante a vida uterina.

Estes momentos e experiências, quando repetidos depois do nascimento, voltam a produzir resultado na indução de um sono tranquilo do bebê.

Alertem-se no entanto os pais: sair de um ambiente de todo conforto do útero, onde está protegido de estímulos excitantes: a  luminosidade não o excita, o som é o do fluxo do sangue no corpo materno, dos ruidos produzidos pelo seu movimento no líquido amniótico. Quando nasce é tanto som, ruido, vozes de pessoas… e tanta luz!

Os primeiros dias serão para uma acostumação. Em tudo para se acostumar e aprender é aos poucos. Nada de muitas festas, algazarras, barulhos nos primeiros dias. Não havendo nada de estranho que justifica, o comportamento do bebê, no que toca ao sono, vai se demonstrar depois dos primeiros quinze dias. Todo clima e ambientação favorecedores da tranquilidade e conforto que lembre o útero materno é recomendável.

Dormirá sempre depois de mamar, num intervalo de cada 03 horas, respeitado o ritmo individual. Chegará a ajustar para um intervalo maior no período da noite, para sorte da mãe. Colocando para dormir, o bebê deve estar numa posição de lado, evitando assim aspiração no caso de vômitos. Estes também já se previnem com as manobras de arrotar após cada mamada.

Um bom indutor do sono nos primeiros meses é um banho morno, relaxante e sem muita pressa. A comunicação inicial desse pequenino ser, é a  do choro para manifestar que algo o desconforta, do xixi, do cocô, do calor que sente, da fome…. cada um com sua qualidade e a mãe observadora aprenderá esta linguagem.

 

A primeira resposta ativa que a mãe, cuidadora do bebê tem a fazer é identificar o desconforto e resolvê-lo. Nossos comportamentos e hábitos não deixam de ser uma aprendizagem pela rotina de gestos e condições repetitivas.

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dar à luz!

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24 de novembro de 2012 às 18:42

 

Há sempre um aspecto polêmico sobre a decisão de como terminar uma gravidez. Isto implica desde questões de ordem técnica da obstetrícia, da vontade da gestante, da disposição e vontade do médico pré-natalista, de quem arca com as despesas, etc.. Não é só o ter a vontade, o desejo e ânimo para que a gravidez termine em parto normal, que assim ocorrerá.
Como todo relacionamento médico paciente é necessário que haja empatia entre quem recebe o atendimento e quem presta o atendimento, para que se chegue a um resultado satisfatório. O médico (obstetra) tem a formação científica para dominar o assunto, para isto estudou, se especializou; tem experiência adquirida na sua vivência e a repassada por orientadores na fase de especialização. Só que isto tudo passa por um filtro individual na hora da decisão, que é a sua visão da vida e do mundo, também seus anseios como obstetra. Sem rodeios pode-se sintetizar: o rótulo que se dá a parto normal, é porque é o normal.
A gravidez é fase dum projeto que termina com o dar à luz. Este conceito traz embutido o fato verdade que o feto encontra-se no ventre materno de tudo protegido mas no escuro, sua vida é participação com a vida da mãe e por ela servida. No momento que vem à luz, há a separação, com seus desconfortos iniciais, do ar penetrando os pulmões, dos sons, da luz, corta-se a ligação materna com uma tesourada no umbigo. É na verdade um marco na vida (a partir deste dia contamos nossa existência, desprezando aquele período compartilhado com a mãe).
O tecnicismo, herdado da fase de sua formação, de algumas opiniões, o não aceitar situações que podem fugir de seu próprio controle é que a meu ver pode embasar o posicionamento de alguns obstetras que não são favoráveis ao parto normal.
Graças a Deus que a assistência materna e fetal conseguiu grandes avanços a ponto de hoje nos admirarmos do que as técnicas de fertilização, a assistência à gravidez de risco, a neonatologia, obtêm resultados tão exitosos, proporcionam a tantos casais a alegria de um filho.
O parto normal é a etapa final. Quando as dores já fizeram o máximo, tudo está na iminência de acontecer. Então o que dificulta esta caminhada? Onde surge o obstáculo que explique o final não esperado? A natureza é que tem o controle do tempo para que isto ocorra. Nesse compasso de espera surge a necessidade da assistência e acompanhamento ao trabalho de parto. Isto demanda um tempo incerto e a capacidade de ser observador atento e paciente do conjunto gestante-filho-família pelo obstetra. Esta é uma variável que por vezes tem mais peso que a própria avaliação clinica da evolução ou progressão do trabalho de parto. Alguns fantasmas, medos e tudo que povoa o imaginário do dar à luz. Em resumo: parto normal, a parturiente além das condições e predispoção tem querer muito, porque se não passa por todos os transtornos dum “longo” trabalho de parto e acaba se rende à cesariana.
Para dirimir dúvidas éticas o CFM (Conselho Federal de Medicina) passa a entender que este é um ato profissional distinto daquele de receber o bebê quando vem à luz, sendo então justo e definido que deva ser o profissional por isso remunerado.
Com essa resolução obstetras sentir-se-ão menos coagidos pela pressa de resolver com uma cesariana o que poderia vir a ser um parto normal. As agremiações de assistência médica – planos de saúde – terão de encontrar uma saída para não entrar em conflito com seus clientes que pagam e os que realizam a assistência. É um primeiro grande passo para se reduzir o índice de cesariana na rede de saúde complementar que hoje beira os 90%!
Pasmem: o SUS de há anos remunera o procedimento de assistência ao trabalho de parto diferentemente do procedimento cesariana!
Queira Deus, os sindicatos médicos e associações da especialidade de obstetrícia se organizem e defendam a permanência constante de médico especialista em todas aqueles Hospitais e Maternidades que queiram dar assistência a quem vai dar à luz. A SGGO (sociedade goiana de ginecologia e obstetrícia) divulga no seu boletim de n.o 10 (http://www.sggo.com.br) seu posicionamento claro sobre a questão. Parabéns aos seus diretores por isto.

Francisco Sales

24 de novembro de 2012

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saúde do bebê

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O que pretende o boasaudeonline.

“Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações” (Jer.1-8)

Este é um pensamento que sintetiza o que esta página pretende.

Na gravidez e mesmo antes dela, na decisão de engravidar (e até quando não existe este momento e passo da existência) os pais criam expectativas. Esse projeto, esse momento, é o começo de uma futura vida, futuro ser. No dizer do profeta,  mesmo antes disso acontecer , Deus – o autor da vida – já tem projetos e desígnios para este ser.

Aqui o visitante encontrará orientações sobre cuidados, compreensão das atitudes, de manifestações e comportamentos, no intúito de auxiliar nessa missão, quem se propôs a colaborar no projeto divino de formar a criança.

 

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