Ilha de Paquetá

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Registros de uma viagem II

IMG_0021Na charmosa Baia da Guanabara há uma sossegada ilha, a de Paquetá. Numa rápida busca histórica fiquei sabendo que teve relevância na ocupação francesa e depois na retomada pelas tropas portuguesas. Os franceses se uniram aos Tamoios de que hoje tem o registro do toponímico na Ilha, a praia dos Tamoios. As denominações locais estão relacionadas a outras figuras históricas do período da regência e império – Praia de José Bonifácio, Solar D’El Rei, como exemplos.

D. João VI quando veio com toda a família real para o Brasil, tinha sua casa de descanso na sossegada ilha – Rua Príncipe Regente. Mesmo que as denominações das ruas não sejam as mesmas de seu início, tem interesse sua referência histórica. Diz-se que o Príncipe Regente chamou-a de Ilha dos Amores. Um romance “A Moreninha” de 1843 deu o nome a uma das praias.

A natureza curiosamente não foi muito pródiga com a ilha, pois não foi agraciada com uma fonte ou nascente. A água que lhe deu foi só a do mar. Talvez esta tenha sido a razão pela qual, mesmo sendo habitada de tão longa data, tenha permanecido pequena e pacata. Nem mesmo as duas iniciais sesmarias da ilha nunca conseguiram pujança.

Uma travessia de barcaça é o meio mais comum de chegar-se a esta ilha e poder desfrutar de suas belezas e bucólica paz. Desembarcando logo se notam algumas diferenças: as charretes puxadas por cavalos e um desagradável e destacado cheiro de urina.IMG_0022

O poder local, de sempre, proíbe a circulação de veículos motorizados na ilha, o que é bom. Também manda a norma que aos cavalos das charretes seja aplicada uma grande bolsa  logo abaixo à cauda, rabo ou outro nome mais simples e direto. As bolotas de fezes então, quando o animal ergue o dito rabo, caem direto nessa bolsa, livrando assim a via pública desse resíduo. Só é pena que a norma não estabeleça procedimento ou cuidado semelhante para o outro produto de excreção do animal e fonte de importante poluição: a urina do animal. Nem mesmo a lavagem efetuada na volta do dia na praça de desembarque soluciona ou elimina a catinga.

Fico imaginando, e em fantasia vendo, esses animais submetidos a uma sondagem vesical e respectiva bolsa coletora de urinas. Outra imagem e experiência menos traumática que visualizo:  estes animais em seu serviço diário com um tubo ou metade dele e de bom diâmetro,  ajustado ali próximo ao órgão poluidor no caso. Tubo esse contendo serragem ou areia para embeber o liquido eliminado. Ambos resíduos, tanto o sólido como o líquido poderia ser usado para produzir bom adubo. Por razão óbvia a coleta da urina fica mais facilitada em éguas, adaptando-se as mesmas bolsas de coleta de excrementos também para a urina. A sugestão é deixar a exclusividade das charretes para estas, se provado que são essas mais higiênicas e menos poluidoras.

IMG_1264Outro meio de transporte vai exigir o esforço motor do condutor, são os triciclos. Com qualquer desses pode-se percorrer a ilha toda em suas ruas de saibro.

Saímos da Ilha de Paquetá já à noitinha. Tivemos a oportunidade de apreciar o por do sol na ilha e saindo ver o belo quadro da ilha iluminada e os seus reflexos na orla.

Já cansados e adiantadas horas da noite descemos na Praça XV, estação das Barcas e logo procuramos encontrar taxi. Sem ficar de bobeira esperando num ponto, acompanhamos o grosso da turba que se dirigia pelas ruas, logo em frente à assembleia pegamos um taxi que nos levou até ao hotel. Pelo inusitado que ocorreu, deixo a narrativa desse episódio para o próximo post.

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Francisco Sales

Sobre Francisco Sales

Médico formado pela Universidade de Coimbra (1974), especialização em Tocoginecologia (TEGO) e em 2003 Especialista em Homeopatia pela AMHB. Participou do corpo Clinico do HMI Goiânia de 1986 a 2013. Homeopata unicista.
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