O estímulo

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Medicamento para a homeopatia é considerado o que tem em si força capaz de alterar o estado de saúde do homem são. Esta potencialidade só se manifesta e pode ser identificada quando utilizada pelo indivíduo são e aí tem ele seu estado de equilíbrio desfeito, surgindo um quadro mórbido. cadinho 2

Isso é tão evidente quando analisamos os venenos e os produtos que trazem em si alguma toxicidade. Muitos medicamentos da matéria médica homeopática têm nesses a sua origem. Sem partir para inquirições da constituição química desses venenos e tóxicos, nota-se primeiramente que eles têm a capacidade de serem deletérios ao organismo, são dotados desse poder a eles intrínseco.

Já aqui fiz referência ao momento em que Hahnemann identificou que a China peruviana era capaz de curar a malária, fazendo em si próprio a experimentação. Sabia que era comum o seu uso direto e prolongado, o que provocava intoxicação.  A febre intermitente desaparecia quando não usada em excesso de dose ou de tempo. Naqueles outros casos surgiam problemas digestivos, hepáticos, sanguíneos e outros até comportamentais.

Intuiu Hahnemann que evitando seu uso direto, fugiria de seu poder tóxico. Como procedeu: triturou a casca do vegetal, desse pó fez infusão em álcool (tintura mãe). Usou dela uma gota em um volume de 100 ml de água, agitou-a. Nesse processo já inexiste parte física da casca do vegetal; ingerido em pequena dose durante certo tempo, passou a observar alterações em seu estado de saúde; estas semelhantes às que apresentavam alguns doentes da malária.

Newton descobriu a lei da atração dos corpos por uma força entre estes, quando foi atingido por uma maçã! Galileu observou o movimento pendular de uma lâmpada e mensurou o tempo do ir e vir com o seu pulso e identificou que esse era o mesmo! Assim foi a China peruviana para Hahnemann e a homeopatia. A genialidade do observador!

A formação e a estrutura do universo são resultado da força da gravidade. A imagem acima, captada pelo Telescópio Espacial Spitzer, mostra galáxias de várias formas e tamanhos (imagem: Nasa/JPL-Caltech).

A formação e a estrutura do universo são resultado da força da gravidade. A imagem acima, captada pelo Telescópio Espacial Spitzer, mostra galáxias de várias formas e tamanhos (imagem: Nasa/JPL-Caltech).

A medicação homeopática produzirá alterações no estado de saúde do experimentador são, desde que haja suscetibilidade dele ao estímulo em prova. Estas alterações abrangem desde o organismo físico, com alguma afinidade ou não a determinados órgãos, com mudanças no humor, na conduta, no sono, no psiquismo. Não é em todos que produz as mesmas mudanças e nem na mesma intensidade elas surgem. Todo este conjunto de observações individuais é tabulado e classificado num primeiro “quadro do medicamento” em experimentação.  Depois agrega-se a esse tudo que venha a ser observado na experimentação clínica, quando o estímulo é empregado em pacientes doentes e com sintomas similares aos que o medicamento desenvolveu no indivíduo são e levam ao seu desparecimento com melhoria e cura do doente.

Porque uma dose mínima de um produto inicialmente material, depois tão diluído que na solução dele não se encontram traços físicos sequer, é capaz de promover esta alteração no experimentador e no doente? Porque ele é capaz de produzir uma condição de doença artificial.

A cura homeopática ocorre quando a força vital, alterada pela doença natural, é atingida pela doença artificial semelhante. Resta que o estado mórbido provocado pela medicamento é de natureza mais intensa, forte e de espécie diferente.  Assim como a luz fraca das estrelas e mesmo da lua não é mais percebida quando a luminosidade do sol mais forte surge, como o som de uma flauta não é mais percebida com o ruflar de fortes tambores, a doença mais fraca existente desaparece quando sobrevém uma mais forte.

Ora a doença artificial (de duração mais curta) provocada pelo medicamento, havendo correspondência dos sintomas, é mais forte e desaloja o quadro da doença de forma profunda e duradoura. Isso é tido como lei natural da cura, comprovada por inúmeras experimentações puras.

As leis naturais são constatadas e demonstradas pela experimentação, podem até ser transcritas em fórmulas. Assim é com a Lei da Gravidade, também uma lei natural, presente e explicação suficiente para a atração dos corpos celestes e dos elétrons em torno do núcleo do átomo, de aplicabilidade universal. Para a homeopatia a similaridade dos sintomas é a lei natural da cura, comprovada pela experiência (experimentação pura, repetida).

Porque diluído o medicamento homeopático não age por sua toxicidade, mas por ter em si a capacidade de estimular dinamicamente o organismo a reagir e se reorganizar, uma vez livre (enquanto se libera) da doença natural. Os homeopatas o denominamos de estímulo para uma recondução ao equilíbrio.

Muito ainda há para expor e discutir sobre esse assunto e o procurarei fazer de forma fundamentada a quem possa se interessar que postarei em futuros artigos.

Fontes: Samuel Hahnemann – Organon da Arte de Curar – 6a. ed. Robe Editorial  (2001)

 

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Holística !

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cadinhoA homeopatia é reconhecida como uma forma holística de tratamento. Isto é verdadeiro. Entenda-se por holística a atitude ou ciência que sendo abrangente,  busca compreender o todo, no caso o ser humano. Sendo o todo reconhecido maior que o somatório das partes que o compõem e as partes se inter-relacionam. Acompanhe-me no que discorro e espero que venha a concordar comigo e com tantos outros que assim pensam.

Todos os que fizeram opção por esta ciência para tratamento de seus males, são nisso concordantes, pois na consulta sobressaem a importância do que é o padecimento da pessoa, em seu histórico: quando, como e onde. Sem polemizar afirmações e rótulos reconheço que a homeopatia só pode ser entendida como “tratamento alternativo” quando entendido como uma outra opção a ter quando tratar-se.

Na clínica homeopática dá-se total credibilidade ao que é relatado e todos os sintomas são anotados  no seu histórico mais significativo – (até mesmo quando apresentados com uma carga de tintas mais fortes). A incoerência do relato pode ser ela própria um sintoma.

Busca a homeopatia ter uma compreensão do ser humano (individual) fragilizado em seu equilíbrio, tanto em processo agudo quanto naquele crônico. Leva em consideração a constituição física, seu caráter, seu psiquismo e sua mente, seus hábitos e modo de vida, suas relações sociais e domésticas, sua idade e função sexual, etc. Enfim busca compreender sua natureza e sua forma de reagir no mundo e seu meio, para preservar a vida. Os desvios do equilíbrio, perceptíveis nos sintomas, representam a própria doença e seu quadro peculiar – o sofrimento daquele organismo e de sua “força vital”; do ser vivo, “animado”.

equilibrio do homemA natureza individual se expressa na forma de reagir a estímulos ambientais, climáticos, sociais e de convívio interpessoal; suas preferências  alimentares, se alguma ingesta causa transtorno, a forma de eliminação de excretas (hábitos intestinais, urinários e transpiração); ausência ou presença e intensidade da sede; medos, preocupações, ansiedade; sono e condições do mesmo; traumas e sofrimentos por perdas ou submissão prolongada por que tenha passado.  Eis um primeiro elenco e guia para apontamentos de uma consulta homeopática. Desses é possível abstrair uma imagem ou quadro do indivíduo doente.

Afirma o Dr. Samuel Hahnemann:  “Quando nossa força vital adoece pela ação de agentes nocivos ela nada pode fazer a não ser exprimir sua perturbação através do desarranjo no curso vital normal do organismo e através de sensações dolorosas com as quais ela apela ao médico sensato por ajuda”.  (Organon, § 22 nota explicativa)

Não é um único sintoma que representará a doença, esta se manifesta por um conjunto de sintomas de maior ou menor significado, dentro do processo de adoecer. É o organismo alertando para o que necessita ser removido para o restabelecimento da harmonia e da saúde. Cabe ao médico atento a sua observação e “leitura”, identificar a essência deles. Com a medicação – estimulo coerente –  tem-se o retorno da saúde, a cura. Restabelecendo todas as partes no funcionamento harmônico para – como afirma Samuel Hahnemann:  “… que nosso espírito racional que nele habita possa servir-se livremente deste instrumento vivo e sadio para o mais elevado objetivo de nossa existência”. (Organon, § 9).

Sim a medicação traz esse auspicioso resultado da cura, a eliminação da doença. Este é um tema de fundamental importância para a compreensão do retorno ao equilíbrio. Deve o paciente ser esclarecido de como se processa. Deixo aqui informações básicas e preliminares:

  1. É sabido que ele é buscado na natureza.
  2. Sua produção obedece a princípios de manipulação (não é processo industrial).
  3. São diluídos e dinamizados.

O diferencial maior e que conforma a fundamentação da homeopatia está em sua pesquisa e investigação. Todo medicamento homeopático é estudado nos efeitos que ele é capaz de provocar no experimentador são. Segue-se depois a experiência clínica: quando utilizado no doente que apresenta sintomas semelhantes aos que ele produziu no indivíduo sadio. Aqui o princípio da similaridade. Similia similibus curentur. (semelhantes são curados por semelhantes).

Este aspecto será visto no que postarei em breve: Estímulo.

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As mãos de meu pai!

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Um pensador e dono de uma arte poética invejável é o gaúcho Mário Quintana. Cultuava e cultivava a palavra e seus efeitos, com simplicidade e surpresa como nestas curtas estrofes;  seja até mesmo no título.

Mario QuintanaPoeminho do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

(Prosa e Verso, 1978)

Em reflexão sobre a morte, com graça escreve:

“Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas… Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida – a verdadeira – em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira”.

“A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos”.

Mário Quintana por ele mesmo:  – “Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas… Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.

Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu… Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim.

Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo – que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.” (Texto escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984)

Lendo seus poemas vi e senti em suas palavras a figura de meu próprio pai, de mãos calejadas e firmes. Calos e suor foram seus dias, de poucas palavras e muito saber, se vivo ainda leria com carinho para ele. Trago os dois compartilhando com vocês,

As mãos de meu pai

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis meu pai

sobre um fundo de manchas já da cor da terra

– como são belas as tuas mãos

pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da nobre cólera dos justos…

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida.

E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da tua cadeira predileta,

uma luz parece vir de dentro delas…

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente, vieste alimentando na terrível solidão do mundo,

como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?

Ah, como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos!

E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosas…

essa chama de vida – que transcende a própria vida…

e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

Mário Quintana (Poesia Completa, Rio, Nova Aguilar, 2005)

 

Essa outra extraída do mesmo livro:

lareiraInscrição para uma Lareira

A vida é um incêndio: nela

dançamos, salamandras mágicas.

Que importa restarem cinzas

se a chama foi bela e alta?

Em meio aos toros que desabam,

cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,

na própria luz consumida…

Mário Quintana (Poesia Completa, Rio, Nova Aguilar, 2005)

 Editado por Francisco Sales 

fontes: a magia da poesia

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Ghee

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Se há um assunto que muita discussão trouxe na medicina e no conhecimento de domínio público nos últimos tempos, este tema são as gorduras.

No século passado o óleo extraído da soja foi introduzido na culinária de todo o mundo. Isto foi no momento de euforia do agronegócio, até hoje de presente importância econômica. Interesses multinacionais e muita publicidade fizeram com que outros óleos e gorduras fossem relegados e os de origem animal execrados.

Não podemos manter uma venda nos olhos! Sabemos que o capital subsidia a pesquisa e esta é utilizada não só para o benefício geral. Mas sim, vezes outras, para beneficiar outros interesses.

As gorduras estão presentes nos alimentos e seu preparo em todas nossas culturas. Livros sagrados das diversas religiões considerarem-nas agradáveis à divindade.

“… Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta, mas não aceitou Caim e sua oferta.” (Gênesis, 4. 3-5). Em Levítico encontramos as ordenações de como devem os Levitas preparar o sacrifício: “O sacerdote arrumará os pedaços, inclusive a cabeça e a gordura, sobre a lenha que está no fogo do altar. … É um holocausto, oferta preparada no fogo, de aroma agradável ao Senhor.” (Levítico, 1.12-13). Na Índia os rituais, contemplam o uso das gorduras e em especial do Ghee a que honrosamente dão o nome de “língua dos deuses” e  “umbigo da imortalidade”.

Consideradas como nutritivas, também sinal de prosperidade e fertilidade. Até nos nossos dias uma terra fértil é denominada de “terra gorda”.

Em nossos dias aquelas de origem animal estão relegadas e até mesmo insultadas como prejudiciais e maléficas. Muitos trabalhos científicos foram realizados em diversas populações concluindo da correlação delas com as doenças cardiovasculares. Todavia, trabalhos mais recentes trazem informações de que está no genoma individual este “destino” de adoecer com formação de placas de ateromas nos vasos, que diminuem ou dificultam o fluxo do sangue pelo organismo, ou desprendem coágulos que irão entupir mais adiante – sua herança genética.

Desse confuso caldeirão, quero aqui apresentar o Ghee indiano. No Brasil temos uma correspondente – a “manteiga de garrafa”. E o que é? – A própria manteiga do leite “clarificada” da qual foi retirada toda água e os conteúdos sólidos das proteínas, dos pequenos coágulos.

Para os hindus um brahmane em viagem para se alimentar, não sabendo a procedência e quem manipulou o alimento, só o pode fazer se este estiver cru e com casca. Mas se preparado em ghee, está liberado. (Mesmo tendo sido preparado por casta inferior, é transformado em alimento superior).Para eles as vacas são sagradas e representam a alma: a única gordura de origem animal que consomem é a manteiga de seu leite clarificada. Nas celebrações de casamento uma tradição de prova de virilidade, entre os convivas de sexo masculino, é a de comer, de uma assentada, a maior porção de ghee …

Há referências de uma tribo, os Hunza, que habitam as encostas do Himalaia, cuja expectativa de vida é de 115 ou mais anos; longevidade curiosamente atribuída aos hábitos alimentares com dieta rica em manteiga de leite, kefir e iogurtes, juntamente com grãos integrais.

Nos anos noventa participei de um curso de iniciação em  Ayurveda. O instrutor indiano, médico ayurveda ensinou a produzir o ghee. Afirmou que, dentre outras virtudes, quando usado diariamente em cada ouvido, com o tempo, elimina o zunido e previne a surdez.

Eis como ele nos ensinou: busque a manteiga de leite mais purificada que encontrar no mercado, sem sal (uns 4 tabletes ou 500 g). Leve então em fogo brando para derreter dentro de panela de preferência inox ou esmaltada. Irá derreter e aos poucos entrar em fervura, formando incialmente bolhas grandes que depois se aglutinam como numa renda e descem ao fundo. Espere que, depois dessas bolhas grandes, haverá formação de pequenas e finas bolhas; estas também formarão fina renda e você notará um precipitado acaramelado através do dourado do ghee líquido.Ghee

Está pronto o Ghee. Possui um aroma que lhe é próprio. Escorra para um recipiente de vidro, com suavidade para que não se misture também o depósito. Após esfriar ficará talvez cremoso, dependendo da temperatura ambiente. Pode ser mantido fora da geladeira por até 5-6 meses sem perder suas qualidades.

Para que serve? Utilizar em substituição das margarinas e a própria manteiga no desejum ou café e na confecção de alimentos. Ele tolera temperaturas elevadas sem se degradar como os óleos de origem vegetal. Ele também não requeima a fritura. É de mais facil digestão, aumenta a produção de suco gástrico e estimula uma mais rápida secreção biliar. Dá sabor todo próprio na “batata sauté”.

É nos alimentos que temos as fontes de energia para as atividades. Cada grama de glicídio ou de proteinas vai converter em 4 kcal, já as gorduras produzirão 9 kcal/g.

São também as gorduras importantes na formação de muitos de nossos hormônios, há vitaminas essenciais à nossa vida que só são absorvidas com essas gorduras ou óleos. As lipossolúveis. Para uma boa e saudável alimentação devemos buscar que seja ela constituida dos três grupos de que se compõem os alimentos. Em tudo sempre com equilíbrio.

 

Fontes:  wise geek, The times of India, A história da manteiga

Francisco Sales

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do equilíbrio e do desequilíbrio – 2

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Samuel HahnemannEm continuação do apresentado no textos anteriores, relembro que antes do Dr. Samuel Hahnemann (1755 – 1843)  ter-se debruçado sobre o principio de a cura por ação do semelhante não havia conhecimento homeopático e este principio não fora antes testado. Ele próprio cunhou a palavra homeo – patia (semelhante – doença). A natureza da pessoa tem sua individualização, diversidade. Diferenciando-se a forma de resposta ao que agride ou provoca desequilíbrio do estado saudável. O que na homeopatia denominamos noxa – influência nociva. Aqui se pode também observar que a individualidade comanda. O que para alguns pode ser a influência nociva que o leve ao desiquilíbrio, não afeta outrem. Por exemplo, uma aragem fria que passa pela fresta de uma janela entreaberta – pode adoecer um e outro não. Aquele que adoece apresentará algumas reações, que também serão características de sua natureza e individualidade, na forma, na intensidade, nos concomitantes. Estes formam a manifestação da reação, que pode levar à cura por si só ou na permanência deles como sintomas – a linguagem do corpo que o médico atento deve identificar à beira do leito. Sinais estes que a doença oferece – sinaliza – para que seja curado.

Hahnemann declara em seu aforismo do § 6: “O observador imparcial, … até mesmo o mais perspicaz, não percebe, em cada caso individual de doença, senão alterações do corpo e da alma, … sinais mórbidos, acidentes, sintomas, isto é, desvios das anteriores condições de saúde do doente atual,” … Qual o papel do médico então? O mestre Hahnemann questiona a prática da medicina de seu tempo e o esforço de buscar explicações para as doenças e de não atentar para aquilo que elas mesmas manifestam através dos sintomas.

Conforme atestam seus aforismos: “A mais elevada e única missão do médico é tornar saudáveis as pessoas doentes, o que se chama curar”, (Organon § 1). Porque  “O mais alto ideal da cura é o restabelecimento rápido, suave e duradouro da saúde ou a remoção e destruição integral da doença pelo caminho mais curto, mais seguro e menos prejudicial, segundo fundamentos nitidamente compreensíveis”, (Organon § 2).

O médico consegue atingir esse ideal de cura se ele tem a compreensão de qual é a doença e ainda o conhecimento do que cada medicamento é capaz de alterar – o que ele chama de a força medicamentosa. Sua importância como profissional não se limita ao momento da doença. Acrescenta –  “Ao mesmo tempo, ele é conservador da saúde se conhecer os fatores que a perturbam e que provocam e sustentam a doença e souber afastá-los das pessoas sadias”, (Organon § 4).

É tão corriqueiro para todos hoje a declaração dos nomes com que as doenças são rotuladas, o próprio jargão médico é de domínio público. São tantos ”…ites”, “…oses”, “…omas”! Os homeopatas não veem como de tanta valia, o nome isolado da doença.

Como observador imparcial o médico se atenta às alterações do corpo e da alma, reconhecíveis através dos sentidos. Estes são os desvios do anterior estado de saúde ou higidez. São eles a representação da doença ou ela própria. O Dr. Hahnemann discute essa preocupação em nota explicativa desse § 6 do Organon: … “Nas doenças, o que se manifesta aos sentidos pelos sinais não é para o artista da cura a própria doença? Já que a essência não material, a força vital que produz a doença nunca pode ser vista, mas somente seus efeitos mórbidos há por ventura, necessidade de ver a própria doença a fim de poder curá-la?”

No entanto, quando se pode identificar uma causa evidente que provoque ou sustente a doença, esta deve ser primeiramente afastada o que leva ao desaparecimento do desconforto, do mal estar.

Lembro-me aqui da narrativa de um colega que queixava-se por tempos de uma desconfortável dor em sua perna direita que dificultava a própria marcha quando era mais intensa. Fez uso de muitos medicamentos para seu alívio, mas isso era de pouca valia. Quando ia para sua fazenda numa viagem mais longa em sua camionete, era difícil de suportar. Um clínico atento  a quem fora consultar, observou que ele trazia em seu bolso traseiro direito a carteira saliente em volume. Perguntou então – “você usa sempre esta carteira nesse bolso?” A resposta foi afirmativa. “Não a use mais aí, seu desconforto e dor deverão cessar. A carteira aí faz compressão em sua nádega e nos nervos”. Atendeu à recomendação e ficou livre da “ciática” mesmo quando das viagens mais longas para a fazenda.

Primeiramente deve ser afastada esta causa da doença, entre outros exemplos – aquilo que provoca a alergia, a fratura corrigida e contida, os corpos estranhos retirados, etc. Então, os sintomas que surgem em sua totalidade formam o “… quadro do ser interior, da doença que se reflete no exterior, isto é do padecimento da força vital”. “É o principal ou único (sinal) através do qual a doença dá a conhecer o meio de cura de que ela necessita”… (Organon § 7).

Isto é o importante, o essencial que o médico deve levar em conta – “… a totalidade dos sintomas deve ser, … em cada caso de doença … o que precisa conhecer e afastar através de sua arte, a fim de que a doença seja curada e transformada em saúde”(Organon § 7) que se reflete no exterior, isto é, do padecimento da força vital, deve ser o principal ou o único através do qual a doença dá a conhecer o meio de cura de que ela necessita, … – em suma, a totalidade dos sintomas deve ser, para o artista da cura, a coisa principal, senão a única que ele, em cada caso de doença, precisa conhecer e afastar através de sua arte, a fim de que a doença seja curada e transformada em saúde”.

O Dr. Hahnemann define outro conceito basilar o da chamada “força vital”. Afirma que sem ela o organismo deixa de ser vivo e passa a apodrecer, a decompor-se em seus componentes químicos. Ela é que impera no estado de saúde. “… reina, de modo absoluto a força vital de tipo não material (autocratie) que anima o corpo material (organismo) como “Dynamis”, mantendo todas as suas partes em processo vital admiravelmente harmônico nas suas sensações e funções, de maneira que nosso espírito racional que nele habita, possa servir-se livremente deste instrumento vivo e sadio para o mais elevado objetivo de nossa existência”, (Organon § 9).

Como já ficou dito: essa força vital perturbada, pode por si mesma voltar ao seu estado de saúde anterior por si só, restaurando, reequilibrando. Persistindo este estado de desequilíbrio tem-se a doença. A chamada “força vital ou dynamis” é que sofre. O reequilíbrio será encontrado pelo efeito dinâmico do estímulo “medicamentoso” sobre a força vital, da mesma forma que o desiquilíbrio (doença) ocorreu por igual efeito dinâmico de natureza contrária à vida.

O tema pode parecer um pouco árido. Apresento com intuito de informação mais substanciosa para aqueles que procuram na Homeopatia ajuda ou para aqueles que buscam o conhecimento dela.

Os próximos textos abrangerão também aspectos das reações individuais e das denominadas doenças crônicas.

Francisco Sales

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para apreciar

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Dentro do objetivo deste espaço – posto aqui dois delicados poemas de Cecília Meireles – convidando aos leitores que se deliciem com as palavras, as lembranças e as imagens que eles trazem.

Sobre a escritora eis o que ela mesma marca – em releituras – como importante:

Cecilia Meireles“Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.

 (…) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.

(…) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano.”

 

praiaInscrição na Areia

O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?

O meu amor não tem
importância nenhuma.

Cecília Meireles    (1901/1964)

Cançãovelas

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
– depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…

concha do marChorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecilia Meireles  (1901/1964)

 

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recomendações de especialistas

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Trago aqui para informação de todos os praticantes e para aqueles que estão ainda por cumprir lista de intenções de começo de ano. Que se animem e o façam. Estes textos encontram-se na edição on line de Veja http://veja.abril.com.br/

São textos de especialistas interessados no bem estar de quem quer manter-se ativo. Um deles tira algumas dúvidas com explicações sobre o desconforto que incomoda a muitos que começam reiniciam atividade física.

Agora é Verão no nosso país, é preciso ir ao sol e captar mais energia e calibrar o estoque da vitamina D tão necessaria, leiam estes bons e instrutivos textos.

Atestado médico: luxo ou necessidade?

(Foto: Thinkstock)

Foi promulgada recentemente em São Paulo uma lei que isenta as academias de exigir apresentação do atestado médico de seus alunos. Em lugar do exame, o praticante terá apenas que responder a um questionário (Par-Q) sobre seu estado de saúde.

Apesar de entender que a obrigatoriedade do atestado médico possa ser um obstáculo para alguns praticantes, honestamente não vejo como iniciar um programa de atividade física sem que haja uma avaliação médica.

O PAR-Q é um questionário confiável?

Alguns colegas da área da saúde argumentam que o PAR-Q é um questionário confiável, que serve para uma pré-avaliação daqueles que realmente precisam de avaliação médica. Será?

Uma revisão sobre o PAR-Q, publicado pela Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício, entende que não, ou seja, a ferramenta possui baixo grau de confiabilidade. Eu também sou cético quanto a este instrumento, dado sua alta subjetividade. E há pessoas que não tem muita sensibilidade ao corpo, sem falar naqueles que omitem informações justamente para não serem “reprovados”. Por último, há diferenças muito importantes quanto às restrições e cuidados para diferentes grupos de praticantes, como nos grupos exemplificados abaixo:

  • – Hipertensos (muitos nem sabem que apresentam hipertensão);
  • – Obesos;
  • – Diabéticos

Todos nós sabemos da importância de um acompanhamento médico e da repetição de exames clínicos, pelo menos anualmente. Então não haveria problema, se todos adotassem essa prática. Ou será trabalhoso demais realizar uma avaliação médica anual?

Revisão: Questionário de Prontidão para Atividade Física (PAR-Q) Physical Activity Readiness Questionnaire (PAR-Q)
 
Fonte: – Leonardo Gomes de Oliveira Luz, Paulo de Tarso Veras Farinatti. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício – Volume 4 Número 1 – janeiro/dezembro, p.43-48,  2005.

Por Renato Dutra

Cãibras: é possível evitá-las?

(Foto: Thinkstock)

Um fenômeno que atinge entre 30 e 50% dos esportistas e praticantes ocasionais de atividades físicas, a cãibra é uma contração muscular involuntária e que causa dor. Em boa parte dos casos, ela ocorre em decorrência do exercício e impede o indivíduo de continuar na atividade. Quem já não assistiu a um jogador de futebol cair no chão durante uma partida, por exemplo? Sim, a cãibra ocorre até mesmo em atletas profissionais, cuja condição física é bem acima da média.

Mas afinal, é possível evitá-las? Para responder a essa pergunta, é preciso antes entender melhor a cãibra.

Onde ela é mais frequente?

A região mais atingida pelas cãibras é a das panturrilhas, seguidas pelos pés e pelos músculos posteriores da coxa.

Qual a sua causa?

É comum atribuir o fenômeno à desidratação e/ou perda de eletrólitos (sódio, potássio, etc.). Não há, porém, comprovação científica disso. Estudos indicam que o histórico familiar, episódios anteriores de cãibra, aumento da intensidade ou duração do exercício ou condicionamento inadequado para praticar a atividade estão associados à ocorrência das cãibras. Apesar de não haver evidências acerca da desidratação e perda de eletrólitos, esse quadro provavelmente aumenta o risco. Muitos maratonistas e triatletas, por exemplo, sofrem o problema no terço final das provas, justamente quando já perderam muita água e minerais através do suor.

Como preveni-las?

Uma revisão publicada em janeiro de 2013 no Exercise and Sports Sciences Reviews, mostra que o principal mecanismo desencadeador da cãibra é a fadiga. Então o melhor “remédio” para preveni-la encontra-se em:

– Estar bem preparado para realizar suas atividades físicas;

– Evitar entrar em exaustão, um quadro que eleva consideravelmente a chance de desenvolver cãibras.

Parece bem fácil evitá-las, certo? Portanto, procure orientação profissional para evitar exageros durante os exercícios. É a melhor forma de escapar do quadro.

Fonte: MINETTO, M.A., A. HOLOBAR, A. BOTTER, and D. FARINA. Origin and development of muscle cramps. Exerc. Sport Sci.Rev., Vol. 41, No. 1, pp. 3Y10, 2013.

Por Renato Dutra

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do equilíbrio e do desequilíbrio – 1

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Sobre o tema homeopatia apresentarei páginas sequenciadas, tentando buscar informar os seus princípios para uma melhor compreensão, sem perder as ligações da evolução da ciência médica.

Em texto anterior comemorativo da homeopatia no Brasil apresentei a discussão de que esta é uma ciência, não é empírica e seu processo é de experimentação e observação meticulosa dos fenômenos.

O conhecimento humano evolui. O saber de hoje pode ser melhor compreendido com uma visão histórica dele próprio. O pensador Augusto Comte afirma com muita verdade em uma de suas máximas “Não se conhece completamente uma ciência enquanto não se souber da sua história“.

Faço aqui um apanhado sobre o surgimento da organização do conhecimento homeopático, da sua origem e fundamentação. Não quero aqui dizer que desde tempos antigos surgiu a homeopatia, mas que a ciência de curar admite desde sempre dois princípios basilares distintos de atingir esse objetivo nobre que cabe ao artista da cura.

Hippocrates e a escola de CósHipócrates (460-370 a.c.) era um “Asclepíade” – certo agrupamento familiar e religioso que dominava o conhecimento e a  prática de atos de atenção à saúde. Reconhece-se nele o formatador do saber da cura, nos seus dias e para a posteridade. Seus estudos advêm da Babilônia e Egito. Fixou-se em Cós onde havia um templo dedicado a Esculápio – na mitologia grega o deus da medicina. Ele com seus seguidores constituem uma escola médica em que era ensinado que a cura processa-se tanto pelo combate dos sintomas (ação contrária), como por uma ação correspondente ao que trouxe a doença (ação semelhante). Em qualquer dessas opções, o médico – observador – é um auxiliar, que avalia, identifica os sintomas e o estado do doente. O seu papel é interferir unicamente para proporcionar ao doente as condições suficientes e certas para encontrar a cura. Hipócrates afiançava que o próprio organismo se reequilibra e cura-se (vis medicatrix naturae – força da natureza que medica -). Dá-se a ele o título: “pai da medicina”.

Para ele também o nosso corpo não é um conjunto de órgãos, mas uma unidade viva. Para a cura é preciso conhecer o homem, pois sua natureza o regula e o harmoniza. Conhecendo sua natureza individual e forma de reagir é como pode o médico auxiliar na cura.  Hipócrates sistematizou seus conhecimentos e ensinos para a prática da medicina nos denominados “aforismos”.

Procure acompanhar-me para um entendimento do que é “curar-se”. Estando vivos eliminamos, gastamos energias, vem o cansaço. A sede, a fome, o sono, são os alertas, que o organismo tem, para que supramos as necessidades e conservemos o bem estar.  É uma linguagem da natureza advertindo sobre o que precisamos. Quando advém o mal estar, um desarranjo, a dor, perversões ou males que ameaçam a vida, chamamos a estes sinais de sintomas . É, pois, a própria natureza a sinalizar as necessidades para o retorno ao equilíbrio. A primeira linguagem está nos instintos, na fisiologia. Já os sintomas são a segunda linguagem, aquela que cabe ao observador atento identificar, reconhecer (análise racional).

Todos já experimentaram situações de algum embate na saúde em que delas se saíram muito bem, sem maiores consequências. Isto corresponde ao indivíduo com boa imunidade, com seu físico e psique bem equilibrados. Pode até sentir alguns achaques, temores, tristezas num momento e depois restabelece. Retorna à homeostasia num reajuste dinâmico. Eis aqui a “vis medicatrix naturae” – força da natureza que trata – de Hipócrates. É inerente à própria natureza o buscar manter-se hígida. O sangue é fluido, mas caso haja necessidade – o corte, o trauma – ele coagula e estanca o sangramento.

Bom, presume-se que a humanidade em certo tempo até fosse mais sadia. As doenças mais graves referidas em livros antigos, ainda hoje nos acompanham em nossos dias: a lepra, a tuberculose como exemplos. Aparentemente romântica, esta ideia é procedente tanto para quem admite o criacionismo, quanto pelos defensores da evolução – sobrevivência do mais forte, do mais capaz que transmite seus dons e dotes à sua prole. Terão as migrações, as expansões, as dominações, as guerras desde a Mesopotâmia, Egito, Macedônia, Roma etc., determinado mudanças na saúde dos povos? Por certo que sim.

O Prof. José Rosenberg (Boletim de Pneumologia Sanitária – janeiro 1999) afirma que em Tebas encontraram-se múmias de jovens faraós com evidentes sinais de lesões de tuberculose; datação de 3000 AC. Para essas doenças as medidas eram mais de segregação ou banimento, sempre também tidas como castigo, configurando o próprio pecado, a maldição.

Os textos bíblicos narram inúmeras curas operadas por Cristo, limpando e sarando quem padecia. A idade média com o todo obscurantismo, não propiciava espaço para o  progresso do conhecimento médico e o crescimento dos aglomerados urbanos, sem hábitos de higiene, favoreciam o aparecimento de doenças. Se lembrarmos de que os romanos se distinguiam pela edificação de “termas” e banhos públicos muitos séculos antes; pode-se afirmar que esse período foi em muitos sentidos um retrocesso na história da humanidade.

Para exemplificar e como curiosidade sobre o que agora converso – doença e cura – faço aqui referência a uma prática de séculos: colocava-se uma moeda de ouro com a esfinge do rei sobre a ferida tuberculosa (escrófula) acompanhado das palavras sacramentais – “o rei te toca e Deus te cura”. A nobreza ia ao beija-mão do rei, os pobres tuberculosos – excluídos – iam ao toque da moeda com a esfinge do rei! Nem estes nem aqueles tomavam banhos suficientes!

GalenoSe alguma área da medicina neste longo período evoluiu foi o conhecimento de práticas cirúrgicas. Nisso as guerras sempre foram ótimos tempos para esse avanço, até mesmo em nossos dias. Durante séculos depois de Cristo foi Galeno, de Roma (126 D.C.) outra grande influência na medicina, no conhecimento anatômico e também na fisiologia. Ele fazia dissecções em macacos e assim os estudava. Algumas de suas observações e conclusões só foram abandonadas no século XVI. É dele a descoberta de que pelas artérias passa o sangue e não ar!

O quadro no século XVII e XVIII era pouco diferente, mesmo que o conhecimento em outras áreas tenha sido brilhante (artes, filosofia, mecânica, navegação, astronomia, etc.) a medicina era predominantemente não experimental e agressiva. Arraigada ainda em procedimentos de limpeza dos humores, de catárticos e sangrias. É preciso separar aqui o conhecimento médico: em clínico e em cirúrgico, nesse tempo. Por essência o clínico precisa conhecer os sinais, os sintomas e o medicamento para aplicá-lo e o que dele esperar (seus efeitos).

Continua em do equilíbrio e do desequilíbrio 2.

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Não é o que se esperaria!

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Por vezes pode-se pensar que nossa decisão em ingerir isto ou aquilo não seja tanto influenciada por elementos publicitários. Todos nós sabemos que o estresse é um fator indutor do apetite, por vezes desenfreado. O tempo gasto por crianças assistindo programas televisivos ou nos chamados ”videogames” leva-os a um clima e nível de estresse, provocados pelo suspense da ação, pela iteração, pela competição com o segundo jogador e consigo mesmo, para passagem de fase. Resultado disso: maior apetite. Qual o objeto de desejo, para saciar?viedojogos (1)

A indústria de alimentos buscando um marketing efetivo, querendo ser educativa – para seus produtos – incentivando o consumo de frutas e outros alimentos tidos como corretos e saudáveis. Distribuem e promovem videogames em que a recompensa é estes alimentos.

Inicialmente surge em nós o desejo de aplaudir a atitude, elogiar a iniciativa.

Para conferir o que realmente ocorre eis os resultados de um estudo publicado pela revista “American Journal of Clinical Nutrition”, em sua edição on line de dezembro de 2012. O estudo é da Universidade de Amsterdam, Holanda, conduzida por Frans Folkvord e outros.

Um grupo de 270 crianças com idades entre oito e 10 anos. 69 delas jogaram videogame publicitário de petiscos ricos em caloria, 67 jogaram “videogames” que promovem frutas, 65 os “videogames” que não eram de promoção de alimentos; grupo controle de 69 que não jogavam nenhum “videogame”. Depois de cinco minutos de jogo, as crianças eram liberadas para comer o que quisessem de frutas e petiscos calóricos.as emoçoes do jogo

Resultado: crianças que brincaram com qualquer dos jogos com marketing de alimentos comeram mais calorias do que as crianças que jogaram “games” que promovia um brinquedo ou que não jogaram nenhum “game”.

Especificamente :

  1. Aquelas que nada jogaram ingeriram 106 calorias cada.
  2. As dos jogos cuja promoção era um brinquedo: 130 calorias.
  3. As dos jogos promovendo frutas: 183 calorias.
  4. As dos “games” que promoviam doces e guloseimas: 202 calorias.

À Reuters Health, disse o pesquisador – “entendo que estes videogames (advergames) promovem a fome”.

Fica evidente que estes joguinhos não promovem o que pretendem. As crianças que jogaram “games”  tanto de doces ou frutas, depois dos 5 minutos de jogos, ingeriram a mesma quantidade de frutas – 32 ou 33 calorias – O restante das calorias vieram dos docinhos.viedojogos (2)

Nossas crianças já têm dificuldades para adquirir um hábito salutar na alimentação, com tantas publicidades e tantos apelos, de que em parte discutimos recente em Conflitante, mais fragilizadas ficam com esses joguinhos.

Buscando um equilíbrio entre controlar o que as crianças acessam de jogos e outros sites em internet e TV; na busca de uma orientação de alimentação saudável, as conclusões desse estudo servem de alerta e um contraponto crítico.

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Conflitante!

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Acompanhando notícias da OMS, observa-se que ela preconiza sempre mudanças de hábitos. Fornece informações sobre melhor nutrição, traz crítica (velada) ao consumismo desenfreado e ao modo enganoso da divulgação e publicidade para alimentos.

Tem surtido efeito: em nosso país começaram proibições de publicidades de bebidas alcoólicas em determinados horários e a sua venda a menores de 18 anos. Assim também outras medidas como a de imagens terrificantes, alertas gritantes sobre malefícios do cigarro.

Não vou entrar na discussão sobre os alucinógenos e entorpecentes. Estes hábitos são adquiridos por uma decisão individual, movida talvez por desejar ou buscar uma pretensa felicidade, um devaneio ou “viagem” a um mundo fantástico. Desencadeado tanto pela busca desse sonho fantasioso da pura fruição do momento prazeroso, como empurrado pela fuga dum mundo visto e sentido como perverso.

Vou ater-me em analisar alguns aspectos daqueles hábitos gerados por necessidades vitais: a busca do alimento. Com o tempo e usos esses foram sedimentando constituindo um fundamento cultural; são distintivos de povos e nações. A evolução e a prosperidade da humanidade trouxe o acúmulo de bens. A defesa dos celeiros e dos campos de plantio e cultura geraram muitas guerras e a expansão de alguns povos e o domínio sobre outros.

Como referência trago a figura lendária de “El Rei Dom Sebastião” (século XVI) “desaparecido” na batalha de Alcacerquibir.  – caravela e a Cruz de CristoPortugal em franca expansão de seus domínios, com interesses mercantis  e presença no norte de África através das fortificações para defesa de seus navios e mercadores, investe avultado recurso para montar um forte exército e ali expandir seu comércio e zona de influência. O império otomano também avançava no Marrocos. O rei português pretendia ter o controle do comércio de víveres e outros bens, além do ouro, o açúcar da Ilha da Madeira, marfim e pigmentos, as chamadas especiarias, nessa antiga rota comercial do Mediterrâneo. O então descoberto “Caminho das Índias” por Vasco da Gama, mostrava-se longo e as viagens dispendiosas.

Com a derrota do grande exército português (04 de agosto de 1578) e seu aliado marroquino,  o jovem e valoroso rei não mais foi visto, nem seu corpo. Com as despesas da guerra,  pagamento do resgate batalha de Alcacerquibirdos cativos de guerra (16 000 soldados) e a morte do rei, que não deixara sucessor, gerou-se um vácuo de poder e grande embaraço no quadro político da Metrópole. Logo anos depois Portugal é dominado pela coroa espanhola por 60 anos.  

Este preâmbulo fica aqui justificado, porque corresponde ao início da formação de nosso país e nacionalidade, e é ilustrativo do velho ditado “farinha pouca: meu pirão primeiro”!

Uma constatação: em nossos dias nunca no mundo consumiu-se tanto alimento (per capita). A produção dos mesmos continua sendo cada vez maior, mais eficiente e mais tecnificada. Para tudo há fiscalização.

aumentamos o tamanho das nossas porções e ganhamos peso

aumentamos o tamanho das nossas porções e ganhamos peso

O afã da busca da chamada qualidade, do melhor índice de produtividade (esquecidos os do desperdício em toda a cadeia de produção e consumo). Isto determinado pela competição, pela vantagem, pelo marketing.

O cultivo de subsistência, ou comunitário, reduziu-se aos recônditos inacessíveis à fiscalização ou a pequenos aglomerados ou grupos de retomada de consciência que evitam os agrotóxicos e adubação química.

Com isso a saúde pública teve alguns ganhos, no desparecimento ou na drástica redução das infeções, das contaminações.

O porco ganhou “status” e passou a ser suíno.  Sua carne já não é mais o vetor das cisticercoses e teníases. Feita a toalete da banha, fica até menos gorda que muitas outras! Toda sua cadeia de produção e abastecimento até ao consumidor final é fiscalizada, garantida,  até mesmo com selo de procedência. O que determina isso, a meu ver,  não é só o interesse pela saúde pública. O que anima esse esforço talvez seja mais a busca da competitividade e da eficiência, para conquista do mercado e maior ganho.

Todos temos culpa. E é preciso mudar.

Todos temos culpa. E é preciso mudar.

As técnicas publicitárias de douramento e maior palatabilidade de todos produtos destinados à alimentação, criam uma necessidade, imoderada. As mentiras não deslavadas, mas bem embaladas junto com outros objetos de desejo e sonhos de consumo, transformam produtos – que nem deveriam ser autorizados por órgãos cuidadores da saúde – em fonte de puro prazer, hábito e vício.

Qual o resultado? –  geração de obesos em todas as faixas etárias. Qual a  consequência? – problemas de saúde pública, endemias, já não parasitárias ou infeciosas. Uma turba de deseducados em alimentação, de viciados, sem temperança. Ai incluem-se os “fast-food”, os achocolatados e as guloseimas super adocicadas,  as papas, os suplementos de alimentação infantil, etc. Estes últimos começam a ser introduzidos desde bebezinho – “há que ser docinho para ter sabor”, se não ele não vai gostar!

Pode até ser saboroso, mas o exagero o torna prejudicial

Pode até ser saboroso, mas o exagero o torna prejudicial

Ou aquelas outras guloseimas com excesso de sal, que também levam ao desequilíbrio do sentido do paladar. A criança passa a conhecer e a apreciar o que o acostumaram e ensinaram-no: o sabor do adocicado, do sal. O verdadeiro sabor do alimento é camuflado. Nunca será aprendido, nem degustado.  Esta é a fase mais importante de nosso aprendizado em comer, em nos alimentar. Há mães que acrescentam açúcar na banana amassada!

A nossa conversa teve inicio com algo a ver com as especiarias e seu comércio, pois bem, os temperos são todos usados em pequeninas proporções e ainda: todos eles têm uma ação facilitadora da digestão dos mesmos, além de mudar um pouco o aroma e dar maior palatabilidade, despertando assim maior desejo pelo alimento.

No viés dessa compreensão, surge e é publicada em maio de 2006 uma portaria normativa interministerial, a de número 1.010 “Institui as diretrizes para a Promoção da Alimentação Saudável nas Escolas de educação infantil, fundamental e nível médio das redes públicas e privadas, em âmbito nacional.” Nos seus considerandos reconhece que ainda pode haver desnutrição e é necessário o seu combate, mas também que o perfil epidemiológico da população tem mudado, aumentando as doenças crônicas com proporção alarmante de obesos especialmente entre crianças e adolescentes; estas passíveis de ser prevenidas a partir de mudanças nos padrões de alimentação, na luta contra o tabagismo e estímulo da atividade física. Identifica e fundamenta que o nosso padrão alimentar é densamente calórico, rico em açúcar e gordura animal e dieta reduzida em carboidratos complexos e fibras.

é preciso contrabalançar!

é preciso contrabalançar!

O documento legal estabelece as diretrizes de um programa de Alimentação Saudável nas Escolas tanto na rede pública quanto privada. Reconhece que esta é um direito humano e deve compreender um padrão adequado às necessidades biológicas, sociais e culturais dos indivíduos em cada  fase de sua vida. Estabelece os eixos dessa educação alimentar e nutricional, estimula a produção de hortas escolares! O dispositivo legal é completo e ainda insere nos demais processos de aprendizagem o tema e conteúdo de Alimentação Saudável. Interdita a venda ou fornecimento de produtos com alto teor de açúcar livre, sal e gorduras trans.

O próprio documento afirma que é uma medida para busca de adequação a parâmetros da OMS. A Portaria conjunta dos Ministérios da Saúde e Educação é em tudo louvável; preventiva, a atitude da norma. alimentacao-saudavelEsperamos é que – se tudo isto é reconhecidamente maléfico para a saúde pública – a medida venha a atingir também fora dos muros escolares. As crianças e jovens não passam a vida lá. Os demais, não escolares, têm direito aos serviços e cuidados do Estado. Porque permitir a divulgação, a comercialização, a produção daquilo que é sabidamente não saudável? É contraproducente com o objetivo da educação alimentar.

Nossos hábitos alimentares já estão por demais desencaminhados, e mudança só será conseguida com medida legal semelhante estendida a todos. As crianças serão objeto de atenção num período do dia, mas logo serão bombardeadas com rótulos chamativos de produtos nas gôndolas dos mercados, com excessos de coisas perniciosas a saúde num longo prazo; bombardeados com peças publicitárias muito bem produzidas e indutoras do consumo daquilo que a escola restringe.

agrada aos olhos, é equilibrado, é saudável

agrada aos olhos, é equilibrado, é saudável

Por sua vez a mobilidade ocorrida – em bom tempo das classes sociais – leva à busca dos padrões de consumo da sua nova posição na estratificação econômica e social. O E.C.A protege a criança e o adolescente das “palmadas corretivas” que bem fizeram a mim e a outras tantas gerações, mas não cuida deles nos malefícios – quase sempre permanentes – causados pelos erros alimentares.

Conflitante, não?

 

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musa

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A conservação das frutas é de suma importância, para que as tenhamos sempre bonitas, frescas e sadias.

Certa vez alguém me observou que as bananas quando guardadas em separado e não mantidas na penca elas se conservam por mais tempo. Fiz a experiência e confirmei ser verdadeiro.

banana3Ora, nós os tropicais  somos acostumados ao consumo de bananas. É tão comum o seu uso! Tanto que nossa cultura adicionou à linguagem algumas expressões: “a preço de banana” – quando algo está muito em conta, ou mesmo barato.  Hoje banana não é tão barato assim. Lembro-me quando criança de que a  banana nem era vendida, pois todos tinham uma touceira em seu quintal. Velhos tempos! Outra expressão nossa : “isto é bananeira que já deu cacho” quando alguém na vida pública já nem tem mais serventia. Lembrando que cada bananeira floresce, dá frutos uma única vez; depois é cortada e de seu cará (rizoma) surgem os brotos (filhos e netos).

Pois bem, esta fruta é de grande valor na alimentação, rica em potássio e vitaminas  A, C e o grupo de vitaminas B; conforme seu teor em açúcares é mais ou menos calórica, entre estas estão: a ourinho e a nanica    na verdade as de paladar mais adocicado.  A banana é uma fruta completa. Todo nome tem seu significado, reparem o que significa o nome da banana: seu nome  científico é musa paradisiaca e musa sapientium (da sabedoria), isso fala algo para você? banana roxa 2

Com as grandes navegações de portugueses e espanhóis, foi trazida para nosso continente e aqui vingou de tal forma, que passou a identificar a América Central. Sua importância econômica determinou expansão de latifúndios, no período da United Fruits Company e depois lutas de gerações de oprimidos. Forjou-se dai o pejorativo de Repúblicas das Bananas.  

Há relatos em textos de medicina que reconhecem e enaltecem esta fruta, como de cura total de sindromes de má-absorção e sua consequente desnutrição em crianças, com uso exclusivo de banana, como refere o Prof. Alfons Balbach em seu livro As frutas na Medicina doméstica, SP, 1975. Onde há crianças ou idosos ela não deve faltar.

Essa fruta não se conserva bem na geladeira. Eis uma sugestão para sua conservação por um prazo maior, mantendo-se íntegra e sem podridão. Ao escolher banana, em feiras ou mercados, prefira as que ainda não se encontram muito maduras, nem estejam saindo da penca. Bem firmes, sem estarem amassadas. Quando transportadas dos produtores e armazenistas, com frequência elas não são protegidas em embalagens e o peso de um cacho sobre o outro acaba danificando alguma banana nele. Você em casa, com uma faca, ou pegando uma por uma, retire-as deixando ou todo aquele pedúnculo que a prende à penca ou um bom pedaço dele. Para isso é preciso que ainda estejam firmes. A razão de assim conseguir que durem mais é que a banana quando vai amadurecendo, a casca fica bem macia, frágil e com o próprio peso separa-se da penca ou se quebra ali. Por essa porta de entrada fica exposta ao ar, ocorre a oxidação e seus açúcares começam a fermentar;  vem o apodrecimento. A casca mantida íntegra, na banana isolada, não sofre esse processo e permanece inviolada e sadia, com seu aroma e sabor.

IMG_8073Claro, se você vai utilizar a banana ainda verde, para algum cozinhado típico, ou utilizar a casca para uma receita inovadora. Esta será encontrada nalgum blog de nutricionista, o que será de todo elogiável, porque desperdiçamos muito em variedades de alimentos por uma simples questão cultural. Nas margens do rio Cuiabá e região do pantanal matogrossense, faz parte da culinária local um guisado com bananas verdes, que acompanha tanto peixes, quanto carnes. No combate à desnutrição, descobriu-se, que tanto a casca quanto estas folhas do “coração” ou “umbigo”, de onde florecem as bananas formando o cacho, produzem pratos ricos e saborosos.

Inove, pesquise e crie.

Francisco Sales

 

 

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Flor de Bananeira: Flor de Bananeira

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Faço link em seu blog para estas receitas educativas e nutritivas no http://boasaudeonline/gourmet-saudemusa/ para quebra de alguns paradigmas alimentares
Flor de Bananeira: Flor de Bananeira: FLOR  ( UMBIGO,  CORAÇÃO) DA BANANEIRA Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Banana   Da parte inferior do cacho da banana ainda imaturo (ou verde,…

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Pasárgada

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O ano se findando, os votos renovando, coração repleto de expectativas e de desejos, almejamos sempre o bom e o bem, o justo e a justiça, a paz universal e a fraternidade.

feliz 2013! feliz ano novo

Após anos de “globalizadas” dificuldades, da queda de impérios, de reinos de outros tempos… quando tantos perdem, revoltam-se por benefícios retirados: Portugal, Espanha, Itália, Grécia! Junto-me ao poeta Manoel Bandeira e deixo aqui meu bilhete, sem endereço, mas com um destino: Pasárgada.

Manuel Bandeira (*1886  +1968) descreve em sua poesia esse lugar de sonhos, onde tudo se nos apraz; podemos aí comemorar e sem grande esforço realizar nossos votos e confraternizarmos:

sitio arqueológico de Pasárgada

sitio arqueológico de Pasárgada

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA!

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
 
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz

Tumba do Rei Ciro, o grande, em Pasárgada; com o seguinte epitáfio: Ó forasteiro, quem quer que sejas, de onde quer que venhas, porque sei que virás, sou Ciro, que fundou o Império dos Persas. Não tenha rancor de mim por causa dessa pequena terra que cobre meu corpo

Tumba do Rei Ciro, o grande, em Pasárgada; com o seguinte epitáfio: Ó forasteiro, quem quer que sejas, de onde quer que venhas, porque sei que virás, sou Ciro, que fundou o Império dos Persas. Não tenha rancor de mim por causa dessa pequena terra que cobre meu corpo

Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
 
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau de sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
 
Em Pasárgada tem tudo

a caminho, rompe o sol de um novo dia!

a caminho, rompe o sol de um novo dia!

É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
– Lá sou amigo do rei –
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
 
 

Manuel Bandeira

 

 

 

 

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aleitamento

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Aleitamento ao seio materno.

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Houve tempos em que ser o bebê fofo era ter as dobrinhas de punho, cotovelo e tornozelos. Isto correspondeu à época em que muito se estimulou o uso de fórmulas na nutrição dos recém nascidos com as mamadeiras, quando eram ainda “engrossadas” com algum amido.

Perinatologistas e puericultores  felizmente perceberam isto e deu-se início a uma batalha para promover o aleitamento materno.

Nada mais normal e mais natural. Somos da classe dos mamíferos, não só porque portamos mamas –  tanto machos quanto fêmeas –  mas precisamente porque nossas crias quando pequenas mamam e necessitam de mamar. Esta é a forma mais simples de suprir todas as necessidades para o desenvolvimento da criança.

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O ato de amamentar promove todo um “clima”. Leva a jovem mãe a desenvolver laços com sua criança, a proximidade entre ambos, os olhares se encontram! Com o prazer da necessidade suprida, o bebê identifica aquele rosto, aquele cheiro e pele materna como a fonte do mais puro prazer. A sucção promove liberação de ocitocina – “hormônio do amor” – que contrai os ácinos da glândula mamária, fazendo o leite chegar pelos canais até ao mamilo; contrai também o útero. No imediato após o parto essa contração uterina é  geralmente dolorosa, todavia é benéfica: leva-o a retornar mais rápido ao seu tamanho de antes da gravidez. Depois deixam de ser desconfortáveis e nem são percebidas como tais. Nota-se só uma difusa sensação prazerosa. A ocitocina tem ultimamente sido chamada de “hormônio do amor” por ser produzida nos jogos preliminares da relação sexual, aumentando mais ainda no orgasmo e depois dele. Além da mãe envolvida e parte fundamental do ato de aleitar, em que toda essa dinâmica hormonal e psicológica ocorre, estudos em neurociência concluem que o recém nascido também provoca no pai a produção de ocitocina. Isto ocorre quando feliz pelo filho o segura nos braços ou o acalenta.

Esse “clima” de enlevo e encantamento faz com que o leite não só aporte nutrientes e elementos de defesa para o novo e querido ser, mas carreie junto: afeto, atenção, carinho, sorriso  ou numa só palavra –  amor. Nutriente essencial para a construção do ser humano, no seu espírito, no seu psiquismo.

Ai está claro que no ato de amamentar o organismo materno e do bebê estão – e funcionam na produção hormonal – como num namoro. Por isso é importante que o ambiente seja propício e adequado, que o espírito materno e sua mente não estejam povoados de apreensões, angústias ou raiva. Todas condições contrárias àquelas necessárias a um bom resultado.

Pelas razões das necessidades de sobrevida e desenvolvimento físico o aleitamento ao seio materno deve ser exclusivo e começar logo nas primeiras horas. Em razão das necessidades da formação psicológica e desenvolvimento emocional da criança isto tudo é verdadeiro, seu tempo deve ser alargado  por um ou até dois anos.

A criança desde o nascer é ávida pelo seio. Não é curiosidade, mas uma constatação:  no parto humanizado, quando o recém nascido, sem nem ter sido limpo, é colocado sobre o tronco e colo materno, ouve os batimentos do coração dela, logo interrompe o choro. Junto ao seio desnudado da mãe, sendo estimulado com a aproximação do mamilo, logo mama; alguns mais firmemente  que outros, dependendo  em parte das condições ao nascer.

Nestes últimos 30 anos, os berçários das maternidades foram abolidos, provocando o alojamento conjunto de mãe e filhinho já desde as primeiras horas. Mesmo para aqueles nascidos de cesariana. Aboliu-se a mamadeirinha com glucose ou chazinho adoçado. Todas estas foram práticas que estabelecidas fizeram com que o aleitamento materno se firmasse e voltasse a ser a condição normal e procurada.

No Brasil, com as campanhas oficiais de incentivo e esclarecimento do valor e importância do aleitamento ao seio materno, um dos primeiros índices que se observou em queda foi na taxa de mortalidade infantil e por detrás dela – e que a suporta – a gritante diminuição das internações por diarréias  no primeiro ano de vida.

Com isso o país ganhou, os pais ganharam, menos bebês sofreram. Hoje tem-se uma percepção de sua importância. A legislação concede à mãe o afastamento de suas atividades laborais por 120 dias corridos. Tem de retornar ao trabalho, no vencimento da “licença maternidade”. É defensável prolongar esta lincença por um período maior. Pelo menos pelo dobro do que é. Os ganhos com uma medida semelhante são fáceis de ser previstos. A  necessidade que têm os bebês da presença materna (sua fonte de alimento) é mais longa que estes curtos 120 dias! Os benefícios serão maiores e atingir-se-á redução de morbiletalidade e melhoria dos indicativos de bem estar.amamentando

Como corolário desse juizo, acompanhe-me: O que se investiu para o retorno do hábito de amamentar a criança trouxe incontestáveis resultados. Instituir campanhas esclarecedoras e estimuladoras da melhor postura materna ao aleitar; prolongar, por amparo legal, este tempo dedicado ao aleitamento por um período de pelo menos seis meses do nascimento da criança! – Aposto que os índices de morte violenta e outras delinquências juvenis, cairão  e muito, resultando dai uma sociedade mais harmonizada e mais humana (afetiva).

virgem-e-o-menino-jean-fouquet[1]

Estamos na antevespera do Natal. Comemoramos o nascimentodo menino Jesus – Deus que se fez homem! Mesmo abstraidos da iconografia cristã e católica, não conseguimos imaginar este menino a não ser amamentando em Maria sua mãe, na alegoria dos presépios e lapinhas lá está a figura de José atento e contemplativo. Não havia falta de sucedâneos do leite, observem as ovelhas e a vaca!

Para sua curiosidade e surpresa Senhora do leite

natal 2012 04

 

 

 

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muito simples

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A nobre laranja

Agora neste período de verão no nosso hemisfério, precisamos estar atentos ao consumo de frutas e à ingesta de abundante quantidade de líquidos;  além das recomendações habituais de acautelar-se com  excessiva exposição ao sol, evitando lesões de pele, desde a queimadura às outras que assustam como o câncer de pele. Estas acontecem mais por exposiçõesrepetidas e sem proteção ao sol,  são mais lentas e demoram anos para se diferenciarem até ao câncer. Protetor solar é equipamento tão importante quanto o short ou bikini.

Esta nobre fruta tem sua origem também na Ásia. Na China tem-se referência dela no ano 2000 A.C. As migrações dos povos favoreceram a difusão e presença dessa fruta em outras partes do mundo. É até cômico e simples imaginar,  os povos ao migrarem levando laranjas como alimento. Quando comemos ou chupamos a laranja,  se estamos no campo, atiramos suas sementes fora. Imagino as ordas de mongóis, Alexandre o Grande, hunos e outros, além dos comerciantes da rota da seda, fazendo semeadura das laranjas! Alcançou a Europa na idade média, provavelmente levada pelas expedições de Marco Polo.

Vejam qual é a fruta que ornamenta o brasão do príncipado de Orange, que no século XV vem dar origem ao Reino da Holanda. Confirma a nobreza desta fruta! Lembrar que os holandeses sempre foram um povo de mercadores, fundaram grandes companhias mercantis intercontinentais.

Aclimatou-se muito bem na região do Mediterrâneo. Hoje é conhecida como a fruta símbolo da Espanha. Ainda hão de disputar com os holandeses que mais prestigia a laranja! Podemos lembrar alguns de seus parentes com nomes de localidades dessas terras banhadas pelo mediterrâneo, a tangerina (de Tânger), bergamota (de Bérgamo), o limão siciliano. O mascote da copa do mundo de futebol na Espanha era o Naranjito!

Está entre as frutas mais consumidas e utilizadas em todo mundo. Ela nos alimenta e refresca. Suas qualidades são por demais conhecidas: hidrata e é rica em vitaminas  A, B, C, e pró vitamina D, além de minerais  como potássio, cálcio, sódio e fósforo.

Como se pode concluir eis um par perfeito para o sol do verão e o nosso metabolismo, o crescimento das crianças, fortalecimento da estrutura óssea de todos, também e  – principalmente -dos idosos.

Outra virtude desta refrescante fruta (e de seus parentes cítricos) é vir envolta em uma casca. É rica em óleo cítirico, muito aromática e pode ser utilizada na feitura de chás, refrescos e é também de grande versatilidade em culinária. Pode-se tanto utilizar laranja fresca – na forma de raspas, ralando  ou retirando superficialmente, sem a parte branca da laranja, como resseca, desidratada. Para que se tenha sempre à mão e para qualquer eventualidade, eis como  pode ser feito: na feira, pegue com quem descasca as laranjas uma porção daquelas fitinhas longas, lave-as, deixe enxugar em local bem arejado, no varal da roupa, por exemplo. Ai mesmo elas poderão ainda ficar até desidratarem, pegando um tom caramelado, ficam firmes e quebradiças.cascas (raspas) de laranja001

Depois de bem sequinhas, já sem nada de umidade, com uma tesoura de cozinha ou outra, retalhe em pedaços bem miúdos, ou triture-as entre as palmas das mãos. Estando bem desidratadas guarde-as para qualquer ocasião.

Com um meia colher de sopa dessas raspas, em um litro de água fervente, acrescente-as, junto com umas poucas folhas de manjericão, alecrim, mais uma a duas colheres mal cheias de açúcar – fora do fogo – tampe e deixe abafado por uns minutos. As raspas e as folhas irão voltar a hidratar e deixarão sua essência, com o bom cheiro e sabor. Bom de sabor e digestivo, se guardado em geladeira será um ótimo refresco.

Estas raspas acrescentadas nos molhos e marinadas para carnes dão um toque todo diferente.  Combinam  bem com outros temperos. Experimente em seus pratos natalinos.

cascas (raspas) de laranja003

 

Para apreciar laranja na  literatura nacional que você pode acessar  laranja da china 

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Aconchego

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para o sono do bebê!
Nasce a criança e logo uma preocupação surge, como será o  seu sono? Porque, da qualidade do sono da criança, dependerá também o sono da mãe e até do pai.

Espera-se que uma criança nascida saudável, de bom peso, com boas notas de APGAR, e de termo (em torno das 40 semanas) tenha bom sono.

Pode-se voltar um pouco no tempo da gestação, as ansiedades, os medos e angústias maternas; a aceitação da gravidez…, sim tudo isso tem seu reflexo depois do nascer. Quem fez a experiência, quando grávida, pode testemunhar: nos momentos de relaxamento, ouvindo músicas ou agradáveis sons da natureza, a criança tranquiliza, diminui o movimento no ventre materno; quando o pai, acariciando a barriga da grávida, (depois de estabelecida uma certa rotina) conversa com o bebê, este também pára como para ouvir. Isto é comprovado, temos que lembrar que nossos sentidos se formam durante a vida uterina.

Estes momentos e experiências, quando repetidos depois do nascimento, voltam a produzir resultado na indução de um sono tranquilo do bebê.

Alertem-se no entanto os pais: sair de um ambiente de todo conforto do útero, onde está protegido de estímulos excitantes: a  luminosidade não o excita, o som é o do fluxo do sangue no corpo materno, dos ruidos produzidos pelo seu movimento no líquido amniótico. Quando nasce é tanto som, ruido, vozes de pessoas… e tanta luz!

Os primeiros dias serão para uma acostumação. Em tudo para se acostumar e aprender é aos poucos. Nada de muitas festas, algazarras, barulhos nos primeiros dias. Não havendo nada de estranho que justifica, o comportamento do bebê, no que toca ao sono, vai se demonstrar depois dos primeiros quinze dias. Todo clima e ambientação favorecedores da tranquilidade e conforto que lembre o útero materno é recomendável.

Dormirá sempre depois de mamar, num intervalo de cada 03 horas, respeitado o ritmo individual. Chegará a ajustar para um intervalo maior no período da noite, para sorte da mãe. Colocando para dormir, o bebê deve estar numa posição de lado, evitando assim aspiração no caso de vômitos. Estes também já se previnem com as manobras de arrotar após cada mamada.

Um bom indutor do sono nos primeiros meses é um banho morno, relaxante e sem muita pressa. A comunicação inicial desse pequenino ser, é a  do choro para manifestar que algo o desconforta, do xixi, do cocô, do calor que sente, da fome…. cada um com sua qualidade e a mãe observadora aprenderá esta linguagem.

 

A primeira resposta ativa que a mãe, cuidadora do bebê tem a fazer é identificar o desconforto e resolvê-lo. Nossos comportamentos e hábitos não deixam de ser uma aprendizagem pela rotina de gestos e condições repetitivas.

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AIDS / HIV, dia mundial!

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Hoje dia mundial de combate à AIDS!

Tantas vezes foi alertada a opinião pública sobre este importante tema e importante data.

Já com um conteúdo menos alarmista, manchetes dos telejornais evidenciam grandes avanços. A saúde pública em nosso país é disso participante. As grandes campanhas de tratamento surtiram efeito. A sociedade também se organizou, mantendo entidades de apoio. A legislação produziu seus atos, alguns excessivamente protecionistas, advindos talvez do peso da consciência por descuidos nas ações básicas de saúde, de décadas  em todas esferas do poder público. Foi como um momento catártico, dos ocupantes do poder e de toda a sociedade. O resultado foi satisfatório, hoje o Brasil em seus programas de combate da AIDS / HIV é tido como exemplar. Parabéns a todos nós por estes mais de 20 anos de luta!

Não estamos isolados no mundo, temos laços de cultura, lingua, origem de nossa missigenação com nossos irmãos angolanos. Vejam parte do que a Agência Angola de imprensa traz em sua edição de hoje, devemos nos solidarizar a eles e aos esforços daquela nação africana.

Diz o texto lembrando o porque da data (não comemorativa, mas de alerta) … “A ideia de dedicar um dia à luta contra a Sida no mundo surgiu na Cimeira Mundial de Ministérios da Saúde de 1988. Desde então, a iniciativa seguiram-na governos, organizações internacionais e de caridades de todo o planeta. 

A comemoração da data tem como objectivo despertar os estados, os governos e as sociedades civis das nações, ante o perigo que o flagelo representa, tendo em conta a natureza da infecção e a capacidade da sua rápida propagação entre as populações e as comunidades. 

A reflexão em torno da efeméride remete a sociedade para o incremento de acções multiformes e a todos os níveis, que visam atenuar o impacto da pandemia entre as populações, sobretudo as mais carenciadas”.

Lembra ainda que 75% das mulheres e 85% das crianças em todo o mundo que padecem de AIDS/SIDA se encontram no continente Africano. Depois de relacionar várias políticas de enfrentamento do problema de saúde por aquele país, conclui e exorta: …. “Ao longo dos anos, foram efectuados alguns progressos na luta contra a pandemia na nossa Região.  

Fizeram-se investimentos financeiros consideráveis na resposta ao VIH/SIDA, medicamentos e outros produtos a preços acessíveis passaram a estar disponíveis a todos os países, foram alargadas abordagens inovadoras de prestação de serviços, o activismo deu maior visibilidade à epidemia do VIH/SIDA e as comunidades têm estado na linha da frente da resposta”. 

Mostra os progressos tidos com divulgação de dados oficiais: “… uma redução no número de casos de novas infecções por VIH em 22 países da Região Africana da OMS. Em 2011, quase 6,2 milhões de pessoas estavam a receber tratamento na Região, em comparação com apenas 100 000 em 2003”. …. “o aumento do acesso ao tratamento para o VIH reduziu o número de pessoas vítimas de causas relacionadas com a SIDA. Calcula-se, em 2011, que terão morrido menos 500 mil pessoas por causas ligadas à SIDA na África Subsariana do que em 2005, o que representa uma redução de 31%.  

Os progressos realizados até ao momento foram possíveis graças a uma resposta individual e colectiva de todas as partes interessadas. 

No entanto, é preciso fazer mais se quisermos alcançar a nossa visão de tratar todas as pessoas afectadas, minimizar as mortes relacionadas com a SIDA e reduzir de forma significativa o impacto da epidemia. 

É preciso intensificar e alargar a prevenção do VIH em todos os países, para incluir a promoção da saúde, aconselhamento para a alteração de comportamentos, testagem do VIH, uso de preservativo, circuncisão masculina, eliminação da transmissão vertical e transfusões de sangue seguras”.

Ainda há muito a caminhar para a erradicação dessa doença no mundo. A ciencia tem evoluido, já se consegue um bom controle da mesma, educação e medidas preventivas, têm sido comprendidas pelas pessoas e poderes públicos. Acredito que historiadores futuros considerarão a doença universal um divisor como importância, antes da AIDS  e depois da AIDS, como ocorreu com a sífilis na Europa após os descobrimentos no seculo XVI.

Que Deus nos segure em suas mãos e dê longa existência a todos os humanos!

Eis aqui os dados de acesso a esta fonte, em que poderá também outras notícias sobre o tema naquele pais.  URL http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/saude/2012/11/48/Hoje-Dia-Mundial-Luta-contra-Sida,435f5c05-f695-4461-9105-1c53111b0d91.html

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para qualquer hora

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uma sopa de agrião

29 de novembro de 2012 às 1:41

 

Com o aproximar das festas de fim de ano, das férias da criançada que estão mesmo à porta; chegado em casa com pouco tempo, quando o supermercado já está longe,  reconfortar depois de um dia cansativo, sem aquela disposição para sair e ir encontrar pessoas…, nada melhor que ter na “hora de matar a fome”, por estes e tantos motivos, deixo aqui uma sugestão de preparar uma sopa de agrião.

O agrião é um vegetal que se desenvolve em terrenos úmidos, ou diretamente sobre água; tem virtudes como diurético, é rico em ferro, iodo e vitamina C. É mais comumente utilizado em saladas. Seu sabor é um tanto  picante e levemente amargo. Já os gregos e romanos muito consumiram dele. Para se ter uma confirmaçao de seu alto uso medicinal, basta lembrar o xarope de mel e agrião!

Deve-se ter atenção com sua limpeza, mesmo aquele de origem controlada sem agrotóxicos. Se não tem a horta de varanda ou sacada, na feira ou mercados irá encontrar o agrião aos molhos, um desses será suficiente. Primeiro separe as folhas dos talos, lave-os em água corrente, como todas outras verduras e folhas das hortas. O talo que é mais rico em minerais, principalmente iodo, pode ter um tempo de cozimento, devendo ser também aproveitados. A vitamina C (contida mais nas folhas) é  termolábil e não resiste à fervura.

Pois bem: como toda sopa, esta também depende o seu paladar dum conjunto de sabores em que os temperos têm voz imperativa. Não precisa exceder. Eis como fazer.

Umas quatro batatas médias, postas a cozer em pressão com casca (mesmo se orgânicas) bem lavadas, a casca deixa um toque no sabor da batata. Depois de cozidas e retirada a pele, são esmagadas ou batidas em liquidificador. Nesse tempo já tem pronto um bom refogado só com alho, cebola, em pouco oleo ou azeite. Acrescente aí água já quente, esta pode ser juntada às batatas, quando batidas no liquidificador. Volte com a mistura ao fogo, acrescentando os talos picados finos, logo depois de começada a fervura, acrescente as folhas lavadas, inteiras ou rasgadas, regue com uma porção de azeite, mexa para homogeneizar os ingredientes, tampe e desligue. Alguns minutos depois as folhas estarão murchas e nao cozidas. Antes de servir pode juntar uma leve pitada de erva aromática.

Faça bom proveito.

Francisco Sales

29 de novembro de 2012 às 1:41

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Um conto de Moacyr Scliar

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Um dos interesses desta página é trazer tema que sirva para uma reflexão, ou simples lazer de uma boa leitura, com textos extraídos de nossa literatura. Transcrevo na íntegra um conto do livro Contos Reunidos de Moacyr Scliar, editado por Companhia das Letras, SP, 1995.
Escreve com uma incrível dose de fantasia e humor. Faça bom proveito e reflita como é a alma humana!
!

“Bandido

Meu tio tinha cara de bandido e era graças a isso que ganhava a vida. Trabalhava para um clube de Brasília que se gabava de fornecer aos sócios diversões inusitadas. Tais como os assaltos simulados, a cargo do meu tio.
A coisa funcionava da seguinte maneira. Ao cair da noite ele se dirigia para o estacionamento do clube e ali ficava, meio oculto entre as árvores. Quando um sócio aparecia, meu tio saía de seu esonderijo e, de revólver de plástico na mão, gritava: quieto, isto é um assalto. O sócio – tudo previamente combinado – levantaria os braços, mas, meu tio se aproximando, ele lhe daria um golpe no pulso, fazendo o revólver voar; e aí daria um soco na barriga de meu tio, que se curvava gemendo – apenas para ser atingido por outro devastador murro no queixo. Tombava como uma árvore abatida, seria chutado pelo sócio e ficaria estendido no asfalto, sangrando como um porco. O sócio, limpando as mãos e bradando alto e bom som: que isso te sirva de lição, entrava para jogar cartas.
Meia hora depois meu tio se levantava e, cambaleando, entrava no clube pela porta de serviço. Ia até o ambulatório, onde o enfermeiro lhe fazia um curativo nos ferimentos, e depois passava na caixa para receber o cachê – não muito alto, mas suficiente para que sobrevivesse com dignidade. O importante é isso, ele nos dizia, dignidade. Mostrava-nos com orgulho o revólver: vejam que imitação perfeita, fui eu mesmo que escolhi. Nesse momento eu surpreendia em seu olhar um estranho brilho, selvagem e inquieto ao mesmo tempo. Só muito mais tarde descobri a razão: meu tio temia que algum sócio novo, mal informado pelo clube, lhe entregasse tudo, carro, dinheiro, mulher. Tanta ansiedade lhe causava essa perspectiva que veio afinal a se matar. Com um revólver de verdade que guardava em casa, não se sabe exatamente por quê. Medo de ladrões talvez.”

Moacyr Scliar (1937 – 27/02/2011)

 

editado por  Francisco Sales   em 25 de novembro de 2012

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o molho de escabeche

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Um excelente molho para acompanhar peixes 

24 de novembro de 2012 às 23:28

É saboroso, de bom tempero, não leva sal. Acompanha bem sardinhas assadas ou fritas, o peixe espada grelhado, o carapau, a pesacada ou merluza grelhadas ou empanadas.

Numa frigideira coloque uma boa porção de bom azeite, já tendo picado vários dentes de alho em partes bem finas, assim também a cebola média, cortada fina em meia-lu, põe a refogar, acrescente umas duas ou tres folhas de louro rasgadas e abafe, logo que murchar a cebola e o alho estiver alourando, acrescente uma ou duas colheres de sopa de vinagre de fruta e apague o fogo. Regue a porção de peixe e delicie.

Aumente o consumo de peixe que fará muito bem. É excelente fonte proteica, do ácido graxo ômega 3, de vitaminas ADE. A Organização mundial de saúde recomenda que a dieta deve conter pelo menos 12 kg de pescado por individuo ao ano. É de muito mais fácil digestão que a carne. A dieta dos povos do mediterrâneo e de todos insulares é muito superior a isto.

Uma atenção especial para quem vai consumir: o sabor por vezes desagradável que se observa mais em alguns peixes de couro se concentra na gordura sob a pele e em todos eles de escama ou couro nas bordas da barriga. Com uma boa faca é fácil retirar, tanto no adquirido congelado como naquele fresco.
 

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dar à luz!

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24 de novembro de 2012 às 18:42

 

Há sempre um aspecto polêmico sobre a decisão de como terminar uma gravidez. Isto implica desde questões de ordem técnica da obstetrícia, da vontade da gestante, da disposição e vontade do médico pré-natalista, de quem arca com as despesas, etc.. Não é só o ter a vontade, o desejo e ânimo para que a gravidez termine em parto normal, que assim ocorrerá.
Como todo relacionamento médico paciente é necessário que haja empatia entre quem recebe o atendimento e quem presta o atendimento, para que se chegue a um resultado satisfatório. O médico (obstetra) tem a formação científica para dominar o assunto, para isto estudou, se especializou; tem experiência adquirida na sua vivência e a repassada por orientadores na fase de especialização. Só que isto tudo passa por um filtro individual na hora da decisão, que é a sua visão da vida e do mundo, também seus anseios como obstetra. Sem rodeios pode-se sintetizar: o rótulo que se dá a parto normal, é porque é o normal.
A gravidez é fase dum projeto que termina com o dar à luz. Este conceito traz embutido o fato verdade que o feto encontra-se no ventre materno de tudo protegido mas no escuro, sua vida é participação com a vida da mãe e por ela servida. No momento que vem à luz, há a separação, com seus desconfortos iniciais, do ar penetrando os pulmões, dos sons, da luz, corta-se a ligação materna com uma tesourada no umbigo. É na verdade um marco na vida (a partir deste dia contamos nossa existência, desprezando aquele período compartilhado com a mãe).
O tecnicismo, herdado da fase de sua formação, de algumas opiniões, o não aceitar situações que podem fugir de seu próprio controle é que a meu ver pode embasar o posicionamento de alguns obstetras que não são favoráveis ao parto normal.
Graças a Deus que a assistência materna e fetal conseguiu grandes avanços a ponto de hoje nos admirarmos do que as técnicas de fertilização, a assistência à gravidez de risco, a neonatologia, obtêm resultados tão exitosos, proporcionam a tantos casais a alegria de um filho.
O parto normal é a etapa final. Quando as dores já fizeram o máximo, tudo está na iminência de acontecer. Então o que dificulta esta caminhada? Onde surge o obstáculo que explique o final não esperado? A natureza é que tem o controle do tempo para que isto ocorra. Nesse compasso de espera surge a necessidade da assistência e acompanhamento ao trabalho de parto. Isto demanda um tempo incerto e a capacidade de ser observador atento e paciente do conjunto gestante-filho-família pelo obstetra. Esta é uma variável que por vezes tem mais peso que a própria avaliação clinica da evolução ou progressão do trabalho de parto. Alguns fantasmas, medos e tudo que povoa o imaginário do dar à luz. Em resumo: parto normal, a parturiente além das condições e predispoção tem querer muito, porque se não passa por todos os transtornos dum “longo” trabalho de parto e acaba se rende à cesariana.
Para dirimir dúvidas éticas o CFM (Conselho Federal de Medicina) passa a entender que este é um ato profissional distinto daquele de receber o bebê quando vem à luz, sendo então justo e definido que deva ser o profissional por isso remunerado.
Com essa resolução obstetras sentir-se-ão menos coagidos pela pressa de resolver com uma cesariana o que poderia vir a ser um parto normal. As agremiações de assistência médica – planos de saúde – terão de encontrar uma saída para não entrar em conflito com seus clientes que pagam e os que realizam a assistência. É um primeiro grande passo para se reduzir o índice de cesariana na rede de saúde complementar que hoje beira os 90%!
Pasmem: o SUS de há anos remunera o procedimento de assistência ao trabalho de parto diferentemente do procedimento cesariana!
Queira Deus, os sindicatos médicos e associações da especialidade de obstetrícia se organizem e defendam a permanência constante de médico especialista em todas aqueles Hospitais e Maternidades que queiram dar assistência a quem vai dar à luz. A SGGO (sociedade goiana de ginecologia e obstetrícia) divulga no seu boletim de n.o 10 (http://www.sggo.com.br) seu posicionamento claro sobre a questão. Parabéns aos seus diretores por isto.

Francisco Sales

24 de novembro de 2012

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Ganhando saúde na hora do lazer

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Há estudos que comprovam o benefício que advem de unir alguma atividade física no momento de lazer pode acrescentar até 7 anos na longevidade. Esta noticia vem postada na edição da revista Veja.com em 07 de novembro 2012. Pesquisadores da Universidade de Harvard e Instituto Nacional de Saúde, USA, demonstram isto.

A partida para o estudo foi a constatação que tanto nos paises desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento observa-se uma acentudada diminuição da prática de atividade física. Compararam vários trabalhos em que identificam a vantagem que têm aquelas pessoas, mesmo obesas, mas ativas. Estas ganham mais tempo de vida em relação àquelas mesmo de peso normal, porém inativas.

Entendem como atividade física de lazer aquelas que não são obrigatórias, nem em horários determinados, mas aquelas feitas conforme a vontade do indivíduo. Os exercícios de lazer considerados foram aqueles de moderado a vigoroso esforço.

Concluiram que além da rotina diária, 75 minutos de caminhada semanal pode prolongar a vida. Isto pode estimular aqueles que são inativos a terem uma atitude, mesmo que não contribua muito na redução do peso. Ainda concluiram que a falta de pelo menos a atividade física de lazer combinada com inatividade é associada à diminuição da espectativa de vida.

As atividades de esporte amador , as caminhadas ou corridas ao ar livre, passeio de bicicleta, isto tudo ajuda. O esforço, no entanto, deve ser de moderado a vigoroso.

artigo original publicado em PLoS Medicine

euatleta materia treino (Foto: Editoria de Arte / GLOBOESPORTE.COM)

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