Santo remédio!

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Crianças sempre nos surpreendem.

Período de férias, no final delas, Sofia de cinco anos recebe suas primas para passar alguns dias em sua casa. As primas são duas: Ana tem 9 anos, a menor Heloisa tem quatro anos. Ana, logo que chega se enturma e brinca mais com Isabel, a irmã de Sofia, ela também de nove anos. As primas chegaram trazidas pela tia Val.

A saudade que sentiam entre si logo fica patente pelos gritos, saudações e abraços, no imediato do encontro. Cada uma tem seu “gênio”, seu temperamento e evidentemente suas maniazinhas, pois são pequenas.

Conversaram, brincaram demais, a fantasia sempre em evidência nos folguedos, tanto com as bonecas como em canções e pequenos shows improvisados, sem nenhuma orientação nem roteiro, cada hora uma fazendo o papel de diretor. Soltam-se e são bem espontâneas. Adultos, quando não convidados como espectadores com o obrigatório aplauso compensador, não são bem recebidos. Provocam acanhamento e inibição nos pequenos astros. Estes momentos se perenizados em documentário, o que hoje é muito fácil de se fazer, serão curtidos em momentos familiares de enlevo e prazer saudoso.

A mãe de Ana e Heloisa não pode acompanhar, desta vez. Havia se comprometido com familiar que necessitava de cuidados dela. Este fato de terem vindo sem os pais é que proporcionou a observação do que agora narro.

Heloisa em outras ocasiões, mesmo querendo muito dormir em casa com as primas, nunca chegava a completar o desejo; desesperadamente clamava em prantos pela presença da mãe, o que era forçoso levá-la de volta para sua casa. Agora já não moram na mesma cidade que Sofia e Isabel sentia-se o prenúncio de um grande barulho.

Logo na hora do banho, este é coletivo e também no meio de muita algazarra. Como sempre a brincadeira prolongou-se ainda por mais um tempo e para dormir, quem diz que aceitaram separar-se. Deu-se um jeito com colchões colocados ao chão. Conversas e risos continuaram, até que Heloisa rapidamente corre para o quarto onde ficaram as malas e sem esconder nem fazer alarde, vem com um pequeno pano apertado ao seu colo.

– O que é isso Heloisa? – perguntou a mãe de Sofia quando a viu passar.

É o cheirinho da mamãe, para eu dormir.

Isabel e Sofia também questionaram aquela atitude da pequena Heloisa.

– Ela sempre usa esse paninho com o cheiro da mamãe para dormir – explicou Ana.

O fato é que depois da oração, puseram-se a dormir como anjos que são.

Durante todo o período que permaneceram aqui, repetia-se a mesma cena para adormecer.

Sofia, no dia seguinte que foram embora as primas, voltou ao seu hábito do – “deixa dormir só um pouquinho com você mamãe!” – E lá ia ela enrolar-se um pouco sob os lençóis com a mãe, depois ia para sua cama.  Na noite seguinte a mãe lembrou a ela que Heloisa bem menor que ela dormia tranquila sem a mãe.

– Me dá um cheirinho seu para eu levar comigo, então mamãe! –
disse num desafio a pequena.

A mãe tira a fronha de seu travesseiro e dá-lhe. Ela carrega-a toda feliz e vai deitar-se. Dormiu sem nenhuma queixa ou pedido. Depois nos dias seguintes sempre foi direto para sua cama com “o cheirinho da mamãe” . Não teve mais dificuldade para iniciar o sono.

Heloisa já sabe do remédio que ensinou para a prima dormir sem ser importuna. Santo remédio.

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Francisco Sales

Sobre Francisco Sales

Médico formado pela Universidade de Coimbra (1974), especialização em Tocoginecologia (TEGO) e em 2003 Especialista em Homeopatia pela AMHB. Participou do corpo Clinico do HMI Goiânia de 1986 a 2013. Homeopata unicista.
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Uma resposta a Santo remédio!

  1. Rejaine disse:

    Me emocionei com esta historinha, de fato, Heloisa não busca mais os afagos noturnos desde que descobriu esta companhia, me envaideço de pensar que a pequena se sente protegida, apenas estando com este pedacinho meu… o “cheirinho”!

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