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Aleitamento ao seio materno.

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Houve tempos em que ser o bebê fofo era ter as dobrinhas de punho, cotovelo e tornozelos. Isto correspondeu à época em que muito se estimulou o uso de fórmulas na nutrição dos recém nascidos com as mamadeiras, quando eram ainda “engrossadas” com algum amido.

Perinatologistas e puericultores  felizmente perceberam isto e deu-se início a uma batalha para promover o aleitamento materno.

Nada mais normal e mais natural. Somos da classe dos mamíferos, não só porque portamos mamas –  tanto machos quanto fêmeas –  mas precisamente porque nossas crias quando pequenas mamam e necessitam de mamar. Esta é a forma mais simples de suprir todas as necessidades para o desenvolvimento da criança.

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O ato de amamentar promove todo um “clima”. Leva a jovem mãe a desenvolver laços com sua criança, a proximidade entre ambos, os olhares se encontram! Com o prazer da necessidade suprida, o bebê identifica aquele rosto, aquele cheiro e pele materna como a fonte do mais puro prazer. A sucção promove liberação de ocitocina – “hormônio do amor” – que contrai os ácinos da glândula mamária, fazendo o leite chegar pelos canais até ao mamilo; contrai também o útero. No imediato após o parto essa contração uterina é  geralmente dolorosa, todavia é benéfica: leva-o a retornar mais rápido ao seu tamanho de antes da gravidez. Depois deixam de ser desconfortáveis e nem são percebidas como tais. Nota-se só uma difusa sensação prazerosa. A ocitocina tem ultimamente sido chamada de “hormônio do amor” por ser produzida nos jogos preliminares da relação sexual, aumentando mais ainda no orgasmo e depois dele. Além da mãe envolvida e parte fundamental do ato de aleitar, em que toda essa dinâmica hormonal e psicológica ocorre, estudos em neurociência concluem que o recém nascido também provoca no pai a produção de ocitocina. Isto ocorre quando feliz pelo filho o segura nos braços ou o acalenta.

Esse “clima” de enlevo e encantamento faz com que o leite não só aporte nutrientes e elementos de defesa para o novo e querido ser, mas carreie junto: afeto, atenção, carinho, sorriso  ou numa só palavra –  amor. Nutriente essencial para a construção do ser humano, no seu espírito, no seu psiquismo.

Ai está claro que no ato de amamentar o organismo materno e do bebê estão – e funcionam na produção hormonal – como num namoro. Por isso é importante que o ambiente seja propício e adequado, que o espírito materno e sua mente não estejam povoados de apreensões, angústias ou raiva. Todas condições contrárias àquelas necessárias a um bom resultado.

Pelas razões das necessidades de sobrevida e desenvolvimento físico o aleitamento ao seio materno deve ser exclusivo e começar logo nas primeiras horas. Em razão das necessidades da formação psicológica e desenvolvimento emocional da criança isto tudo é verdadeiro, seu tempo deve ser alargado  por um ou até dois anos.

A criança desde o nascer é ávida pelo seio. Não é curiosidade, mas uma constatação:  no parto humanizado, quando o recém nascido, sem nem ter sido limpo, é colocado sobre o tronco e colo materno, ouve os batimentos do coração dela, logo interrompe o choro. Junto ao seio desnudado da mãe, sendo estimulado com a aproximação do mamilo, logo mama; alguns mais firmemente  que outros, dependendo  em parte das condições ao nascer.

Nestes últimos 30 anos, os berçários das maternidades foram abolidos, provocando o alojamento conjunto de mãe e filhinho já desde as primeiras horas. Mesmo para aqueles nascidos de cesariana. Aboliu-se a mamadeirinha com glucose ou chazinho adoçado. Todas estas foram práticas que estabelecidas fizeram com que o aleitamento materno se firmasse e voltasse a ser a condição normal e procurada.

No Brasil, com as campanhas oficiais de incentivo e esclarecimento do valor e importância do aleitamento ao seio materno, um dos primeiros índices que se observou em queda foi na taxa de mortalidade infantil e por detrás dela – e que a suporta – a gritante diminuição das internações por diarréias  no primeiro ano de vida.

Com isso o país ganhou, os pais ganharam, menos bebês sofreram. Hoje tem-se uma percepção de sua importância. A legislação concede à mãe o afastamento de suas atividades laborais por 120 dias corridos. Tem de retornar ao trabalho, no vencimento da “licença maternidade”. É defensável prolongar esta lincença por um período maior. Pelo menos pelo dobro do que é. Os ganhos com uma medida semelhante são fáceis de ser previstos. A  necessidade que têm os bebês da presença materna (sua fonte de alimento) é mais longa que estes curtos 120 dias! Os benefícios serão maiores e atingir-se-á redução de morbiletalidade e melhoria dos indicativos de bem estar.amamentando

Como corolário desse juizo, acompanhe-me: O que se investiu para o retorno do hábito de amamentar a criança trouxe incontestáveis resultados. Instituir campanhas esclarecedoras e estimuladoras da melhor postura materna ao aleitar; prolongar, por amparo legal, este tempo dedicado ao aleitamento por um período de pelo menos seis meses do nascimento da criança! – Aposto que os índices de morte violenta e outras delinquências juvenis, cairão  e muito, resultando dai uma sociedade mais harmonizada e mais humana (afetiva).

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Estamos na antevespera do Natal. Comemoramos o nascimentodo menino Jesus – Deus que se fez homem! Mesmo abstraidos da iconografia cristã e católica, não conseguimos imaginar este menino a não ser amamentando em Maria sua mãe, na alegoria dos presépios e lapinhas lá está a figura de José atento e contemplativo. Não havia falta de sucedâneos do leite, observem as ovelhas e a vaca!

Para sua curiosidade e surpresa Senhora do leite

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Francisco Sales

Sobre Francisco Sales

Médico formado pela Universidade de Coimbra (1974), especialização em Tocoginecologia (TEGO) e em 2003 Especialista em Homeopatia pela AMHB. Participou do corpo Clinico do HMI Goiânia de 1986 a 2013. Homeopata unicista.
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