Não é o que se esperaria!

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Por vezes pode-se pensar que nossa decisão em ingerir isto ou aquilo não seja tanto influenciada por elementos publicitários. Todos nós sabemos que o estresse é um fator indutor do apetite, por vezes desenfreado. O tempo gasto por crianças assistindo programas televisivos ou nos chamados ”videogames” leva-os a um clima e nível de estresse, provocados pelo suspense da ação, pela iteração, pela competição com o segundo jogador e consigo mesmo, para passagem de fase. Resultado disso: maior apetite. Qual o objeto de desejo, para saciar?viedojogos (1)

A indústria de alimentos buscando um marketing efetivo, querendo ser educativa – para seus produtos – incentivando o consumo de frutas e outros alimentos tidos como corretos e saudáveis. Distribuem e promovem videogames em que a recompensa é estes alimentos.

Inicialmente surge em nós o desejo de aplaudir a atitude, elogiar a iniciativa.

Para conferir o que realmente ocorre eis os resultados de um estudo publicado pela revista “American Journal of Clinical Nutrition”, em sua edição on line de dezembro de 2012. O estudo é da Universidade de Amsterdam, Holanda, conduzida por Frans Folkvord e outros.

Um grupo de 270 crianças com idades entre oito e 10 anos. 69 delas jogaram videogame publicitário de petiscos ricos em caloria, 67 jogaram “videogames” que promovem frutas, 65 os “videogames” que não eram de promoção de alimentos; grupo controle de 69 que não jogavam nenhum “videogame”. Depois de cinco minutos de jogo, as crianças eram liberadas para comer o que quisessem de frutas e petiscos calóricos.as emoçoes do jogo

Resultado: crianças que brincaram com qualquer dos jogos com marketing de alimentos comeram mais calorias do que as crianças que jogaram “games” que promovia um brinquedo ou que não jogaram nenhum “game”.

Especificamente :

  1. Aquelas que nada jogaram ingeriram 106 calorias cada.
  2. As dos jogos cuja promoção era um brinquedo: 130 calorias.
  3. As dos jogos promovendo frutas: 183 calorias.
  4. As dos “games” que promoviam doces e guloseimas: 202 calorias.

À Reuters Health, disse o pesquisador – “entendo que estes videogames (advergames) promovem a fome”.

Fica evidente que estes joguinhos não promovem o que pretendem. As crianças que jogaram “games”  tanto de doces ou frutas, depois dos 5 minutos de jogos, ingeriram a mesma quantidade de frutas – 32 ou 33 calorias – O restante das calorias vieram dos docinhos.viedojogos (2)

Nossas crianças já têm dificuldades para adquirir um hábito salutar na alimentação, com tantas publicidades e tantos apelos, de que em parte discutimos recente em Conflitante, mais fragilizadas ficam com esses joguinhos.

Buscando um equilíbrio entre controlar o que as crianças acessam de jogos e outros sites em internet e TV; na busca de uma orientação de alimentação saudável, as conclusões desse estudo servem de alerta e um contraponto crítico.

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Francisco Sales

Sobre Francisco Sales

Médico formado pela Universidade de Coimbra (1974), especialização em Tocoginecologia (TEGO) e em 2003 Especialista em Homeopatia pela AMHB. Plantonista do HMI Goiânia de 1986 a 2013.
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Uma resposta a Não é o que se esperaria!

  1. obrigado pela dica. E concordo com a pesquisa e vou repassar para meus contatos. Parabens pelo site, lindo e maravilhso.
    abraços e sucesso!

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